Kirin 970

As notícias do boicote Americano à Huawei têm dominado a imprensa de tecnologia nos últimos dias, mesmo se o boicote tenha sido suspenso por 90 dias. A Huawei já fez saber que acumulou peças e que manteve intactas as suas tecnologias fundamentais, aconteça o que acontecer, mas agora há um player de peso a juntar-se ao boicote, mostrando bem o poder do polvo Americano. Trata-se da ARM Holdings, efectivamente Inglesa, mas controlada pelo SoftBank do Japão.

Dizermos que o boicote apenas se aplica a empresas Americanas é demasiado simplista. Conforme a própria ARM indica, no memorando a solicitar a todos os funcionários que cessem com efeito imediato todos os contratos e negociações com a Huawei, existem nos processadores Kirin componentes com origem nos EUA.

A Huawei ainda não é auto-suficiente no design e fabrico de chips, e mesmo excluindo componentes com origem Americana, os seus chips licenciam a arquitectura ARM, de resto como todas as marcas, incluindo a Apple. “Origem Americana” pode significar muito, não simplesmente hardware fabricado nos EUA, mas igualmente patentes e licenças, efectivamente fechando à Huawei as portas a componentes fundamentais para os seus chips, com o boicote a impedir a Huawei de receber qualquer tipo de suporte por parte da ARM, incluindo actualizações.

Mais brutal, os funcionários da ARM foram instruídos a declinar comunicar sobre negócios com funcionários da Huawei sob qualquer forma, incluindo em eventos públicos.

Qual o efeito prático?

O desenho e produção de chips tem uma temporalidade própria e a Huawei estará neste momento bem protegida contra este tipo de revezes, pelo acumular de chips para utilização nos seus equipamentos, mas poderá sofrer atrasos no desenvolvimento de chips futuros.

A Huawei, tal como todas as marcas, está completamente dependente da ARM em termos de arquitectura de processadores, seja para mobile, seja para alguns servidores. Neste momento, simplesmente não há uma alternativa, depois da Intel ter saído definitivamente do espaço mobile, e também a Intel suspendeu os seus negócios com a Huawei.

Se a marca Chinesa pode facilmente contornar bans em termos de software e muito hardware, a dependência de tecnologias externas para o desenvolvimento e fabrico de processadores. O detalhe a reter neste report é que embora o memorando tenha sido distribuído no dia 16 de Maio, parece que a ARM não reverteu a decisão após a suspensão de 90 dias ao boicote.

Sendo que mesmo os chips da Samsung recorrem a tecnologias da ARM, poderá ser impossível para a Huawei criar em tempo útil uma alternativa totalmente imune às pressões Americanas.

A Huawei ainda não respondeu oficialmente a este dado.

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