O cartão SIM. Não importa o tamanho: se o detestam, têm inúmeras razões para o fazerem. Numa época em que os smartphones possuem cada vez mais opções de trocas de dados que não passam estritamente pela rede celular, e numa altura de miniaturização crescente, o cartão SIM é um resquício obsoleto do controlo constritor que as operadoras ainda procuram exercer com mãos de ferro sobre as comunicações interpessoais. Não posso esperar por o ver passar aos anais da história, e o ARM iSIM pode ser uma solução para realizar esse desejo.

O cartão SIM é uma péssima, péssima ideia

Em diversos tamanhos, o cartão SIM é uma omnipresença nas comunicações móveis, mas, tal como está, é a pior implementação possível de qualquer componente no nosso smartphone. Além de ocupar por si só o espaço suficiente para um módulo fotográfico, o cartão SIM ainda implica a área extra do tabuleiro, dos componentes da ranhura, e todos os restantes componentes necessários para interligar o cartão SIM com as antenas e processador do nosso smartphone.

É literalmente como colocar rodas de tractor num Mini Cooper, e perfeitamente contra-intuitivo face a smartphones cada vez mais compactos, com menos espaço interior disponível e à procura de novas e mais úteis funções. Para comparação, a área do Snapdragon 835 é de 72,3mm2, enquanto um Nano SIM possui uma área de 108,24mm2, fora os tais componentes extras. Portanto, temos esta coisa gigante que ocupa mais espaço que um processador moderno, e isso é absolutamente inaceitável.

E nem me façam falar do risco de acidentes e infiltração de água e poeira que são as ranhuras sem isolamento.

Entra o ARM iSIM

O ARM iSIM é um cartão SIM electrónico embebido no mesmo chip que inclui o processador e, com isso, ocupará menos de 1mm2, uma pegada francamente negligenciável por comparação. Os fabricantes pouparão com a implementação ao poderem abdicar da necessidade de projectar as ranhuras e componentes auxiliares, agilizando o fabrico e libertando espaço que pode ser usado para mais memória, mais câmaras, novos sensores.

Parece que a ARM não está a tentar obter lucros excessivos com o iSIM e, segundo o The Verge, cada implementação custará alguns centavos em vez de dezenas de centavos. Para o fabricante, os custos irão diminuir e poderão ser deslocados para outras funcionalidades.

O eSIM, entretanto, continua a ganhar algum apoio de modo lento, sendo uma chave para os computadores sempre conectados com Windows on ARM, já que oferecem amplas capacidades de conectividade celular sem a necessidade de um cartão separado.

Ora, porquanto a ARM tenha indicado já ter fornecido as especificações aos parceiros (o que poderá incluir Qualcomm, MediaTek, Samsung, ou HiSilicon – entre outros) ainda poderemos ter que aguentar os cartões SIM por mais algum tempo. Mas quanto mais depressa se forem, melhor.

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