Depois de diversos anos na sombra, a AMD encontra-se num pico de actividade, com o lançamento de novos chips e gráficas que têm desafiado a hegemonia de Nvidia e Intel. Mas, não fazendo parte da Intel dormir enquanto é ultrapassada, o gigante tecnológico tem-se dividido entre diversos meios de manter a sua liderança. O passo mais recente é a contratação de Jim Keller, um dos nomes mais importantes e influentes de sempre na história da AMD e dos processadores.

O impacto de Keller começa muito antes de muitos de nós sequer usarmos um computador, quase há vinte anos atrás, quase há vinte anos atrás, quando desenvolveu os núcleos K7 e K8. Foi do K7 que nasceu o primeiro processador AMD Athlon, o primeiro x86 de 7ª geração, que se tornou um grande sucesso de vendas para a AMD e ganhou o seu nome ao se tornar o primeiro processador a conseguir atingir 1GHz, embora as primeiras versões fossem comercializadas com um máximo de 700MHz.

Entretanto, Keller esteve na Apple onde terá sido fundamental no desenvolvimento dos actuais chips mobile da marca de Cupertino, especificamente os Apple A4 e A5, mas o seu feito mais recente foi o desenvolvimento da arquitectura Zen, que relançou a competitividade da AMD aos olhos dos utilizadores e das marcas. Posteriormente, Keller passou para a Tesla, que deixa agora a caminho da Intel. Na Tesla, Keller era vice-presidente da divisão de engenharia de hardware autopiloto.

A Intel tem algo importante na cartola

Não é a primeira vez em tempos recentes que a Intel capta alguém responsável por uma tecnologia concorrente: no final de 2017 soubemos que Raja Koduri, responsável primário pelas tecnologias Radeon iria para a Intel. Na mesma altura, a Intel anunciou novos chips Core com gráficas Radeon RX Vega integradas. Era mais do que óbvio que a Intel estava a acordar para ameaça e não queria continuar a ser conhecida como a marca das gráficas integradas que ninguém quer.

Não tenho números para o comprovar, mas é certo que apesar dos processadores Intel incluírem sempre uma gráfica integrada, a maioria das pessoas que o pode fazer opta por a substituir por uma gráfica dedicada. Isto coloca em causa o custo adicional de adquirir um processador com algo que é percepcionado como tendo pouco valor acrescentado.

Obviamente que a Intel tem também sofrido com uma certa imagem de estagnação, já que nos últimos anos (pelo menos desde que a AMD deixou de se tornar uma ameaça), as suas tecnologias não têm sido particularmente transformadoras, para lá do crescimento da contagem dos núcleos e diminuição dos tamanhos dos transístores.

Existem agora claros sinais que a Intel está a mudar a mentalidade para se manter competitiva, particularmente no âmbito do domínio gráfico. Irá a tempo de repor a sua imagem?

 

 

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