A autonomia em carga e tempo da recarga são dois dos grandes problemas dos veículos eléctricos, se não os grandes problemas da tecnologia. Mas, do outro lado do Atlântico, um autocarro eléctrico conseguiu atingir um valor até agora só ao alcance de protótipos: 1,101 milhas sem reabastecimento, ou mais de 1,772Km de viagem.

A proeza foi conseguida pelo Proterra Catalyst E2 Max, um autocarro standard de 12 metros, que percorreu esta distância extraordinária em baixa velocidade de cruzeiro, pulverizando todas as marcas anteriores. Foram apenas 15mph, ou 24Km/h, mas o suficiente para superar amplamente o anterior recorde, pertencente ao Alemão Boozer que, em 2011, conseguiu 1,013 milhas sem qualquer reabastecimento. A distância que nos separa deste anterior recorde mostra bem, a grande dificuldade que ainda representa a criação de veículos pesados com autonomia suficiente para serem verdadeiramente atraentes para o mercado.

Se o Boozer era um protótipo sem capacidade para produção em série, o mesmo não acontece com o Proterra Catalyst E2 Max, ainda que o veículo tenha conseguido atingir este recorde apenas em condições ideais, sem passageiros, nem nos usuais problemas dos percursos urbanos com paragens e arranques constantes. No entanto, este tipo de veículos tem certamente a vantagem de possuir amplo espaço para armazenamento de baterias e é por isso que o Proterra inclui 660kWh, face aos minúsculos 75kWh de um Tesla Model S, num grande agrupamento de baterias produzido em parceria com a LG.

Embora seja expectável que, em condições reais de utilização, o Proterra Catalyst E2 Max veja a sua autonomia muito reduzida, esta deverá ser ainda assim suficiente para as transportadoras começarem a olhar para os veículos eléctricos com maior credibilidade. Em alguns percursos citadinos, esta autonomia seria suficiente para diversas horas de serviço, com carga necessária apenas no final de cada turno. Zonas periféricas dos grandes centros urbanos, onde os percursos em velocidade de cruzeiro são tipicamente maiores, poderão por isso começar em breve a utilização de autocarros eléctricos, contribuindo em muito para despoluir as grandes artérias.

Esta não será a única vantagem dos autocarros eléctricos do futuro próximo: com poucas peças móveis, os grupos motrizes serão igualmente mais fáceis de manter e reparar, requerendo menor manutenção e reduzindo os custos operacionais, mesmo que o preço inicial de aquisição seja ainda superior.

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