Não é fácil ser-se a Canon. Ou melhor, não é fácil ser-se a dona do maior portefólio de câmaras fotográficas e objectivas em todo o mundo, com uma colecção crescente de prémios internacionais e uma preferência incontornável entre fotógrafos e repórteres um pouco por todo o mundo. Como se revolucionam tantas décadas de história e se mantém a competitividade num mundo novo? A resposta da Canon é a Canon EOS R, a primeira mirrorless “a sério” da Canon, e que chega logo com quatro novas objectivas com baioneta exclusiva e muitos argumentos importante.

Quem acompanha o mundo fotográfico sabe que não é a primeira vez que a Canon se exercita nas mirrorless de lentes intermutáveis, mas as Canon EOS M foram as típicas propostas tímidas de quem quer chegar a novos clientes, sem realmente ameaçar o seu império SLR. É algo completamente diferente com a primeira EOS R.

No papel e no design, a Canon EOS R impressiona. Trata-se de uma câmara full frame, portanto com sensor de 35mm de 30.3MP e processador de imagem DIGIC8. O sensor resolve um problema comum das câmaras mirrorless com uma implementação na qual a Canon foi pioneira e onde é exímia: o autofoco com Dual Pixel, composto por 5,655 pontos de foco com 100% de cobertura do enquadramento na horizontal e 88% do enquadramento vertical. Por outras palavras, este sensor tem tudo para ser exímio no seguimento de objectos e autofoco em tempo real durante a captura de vídeo. Não surpreende, porque este é um universo onde a Canon tem provas dadas.

E para manter uma polivalência em qualquer condição luminosa, a Canon EOS R pode focar até -6EV e mantém uma gama ISO de 100-40,000, expansível até 50-102,000. A cadência de disparo são umas interessantes 8fps em AF-S, mas a cadência cai para 3fps em foco contínuo. Portanto, ainda estamos muito longe de um gigante para desporto e acção como a Canon EOS 7D Mark III, mas é uma performance atraente para uma utilização polivalente, principalmente com o buffer louvável, que autoriza 47 imagens RAW ou 100 jpeg.

Sendo uma câmara mirrorless, a ocular é electrónica, com 3.69MP de resolução e cobertura completa do enquadramento, enquanto o LCD externo é totalmente articulável, com 2.1MP de resolução e função táctil com autofoco. Existe ainda um LCD na ombreira para mostrar as principais definições, com o que a Canon EOS R apelará sem dúvida a profissionais e entusiastas. A câmara possui – muito claramente – um design profundamente pensado para utilização confortável e intuitiva, replicando a amplitude de controlos externos das EOS clássicas, permitindo um controle mais rápido a três dedos, com um punho profundo e ergonómico. se bem que não pareça possuir tantos controles físicos quanto as EOS de gama alta. Ainda assim, uma nova barra de navegação localizada logo ao lado do LCD posicionável permite aceder rapidamente às opções personalizáveis.

Pontos potencialmente negativos, a Canon EOS R não ultrapassa as limitações das mirrorless desta geração, com um máximo de 370 imagens por carga, mas também possuindo apenas uma ranhura para cartão UHS-II. Pessoalmente, a autonomia escassa seria a minha maior preocupação durante uma reportagem onde 370 imagens como estimativa optimista se encontram aquém do que um fotógrafo sacaria numa única noite de concertos. A alternativa aqui será a grip BG-E22 que duplica a autonomia.

O vídeo poderá ser menos interessante para os mais exigentes, já que não é possível gravar 4K a 60fps, mas apenas a 30fps. O lado positivo é temos o Dual Pixel e controle independente da exposição.

Ora, a Canon EOS R é inegavelmente moderna e inclui amplas opções de conectividade para emparelhamento com smartphones, saída HDMI, USB-C e Bluetooth.

Como não é possível garantir o sucesso de qualquer sistema fotográfico sem objectivas atraentes, a Canon EOS R chega acompanhada de quatro objectivas com a nova baioneta RF: RF 28-70mm f/2L USM, RF 50mm f/1.2L USM, RF 24-105mm f/4L IS USM e RF 35mm f/1.8 Macro STM. Portanto, duas primes clássicas (35 e 50mm) e duas zoom de abertura fixa, incluindo uma Macro, além de três adaptadores que permitem utilizar na baioneta RF 70 objectivas EF e EF-S.

Tudo somado, a nova EOS R terá uma missão difícil: a de recuperar a distância perdida face à grande dominadora deste mercado, a Sony. E se a Sony leva já várias gerações de avanço, pelo menos a EOS R é uma oferta muito capaz e atractiva que representa continuidade em vez de ruptura, para milhões de “Canonistas”.

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