Os smartphones do tipo slider estão na moda, graças à incessante busca das marcas pelo ecrã realmente bezel-less. Os olhos estão postos no Xiaomi Mi Mix 3, no Oppo Find X e noutros que tal, mas em 2016 um obscuro smartphone era slider antes de slider ser cool. Este é um apreço ao BlackBerry Priv, o slider antes do seu tempo.

É uma verdade que muitos de nós temos os smartphones que queremos, não os que precisamos. Quem pode, pagará obviamente mil euros para fazer chamadas e ver o Facebook, e outros pagarão o mesmo para gerir uma carteira de clientes, uma equipa, produzir conteúdos. Para mim, o smartphone que quero e não preciso é o BlackBerry Priv. O Priv é “the one that got away”, e só preciso juntar uns trocos para ter um, embora não precise dele. Tanto que não o utilizarei quotidianamente, não existindo motivo para por de lado o KEYone ou o Key2, pelos quais tenho todo o apreço possível. Mas o BlackBerry Priv é  ainda assim uma necessidade minha, porque tem tudo o que foi relevante antes, durante e após a sua existência.

O Priv foi anunciado em 2015 como derradeiro esforço de uma BlackBerry em colapso, e como a última carga da brigada ligeira ou o encontro do Yamato com o destino, foi um esforço tão fracassado, quanto glorioso. E não foi por qualquer defeito intrínseco, mas nenhum smartphone vende quando a empresa-mãe não consegue definir o seu futuro.

O BlackBerry Priv era um slider cheio de estilo antes dos sliders terem estilo, e não era por alguma frivolidade. Não era um slider porque foi pensado para uma geração obcecada por ter mesmo que se fotografar a fazer nada. Quando deslizamos o painel traseiro encontramos um teclado QWERTY completo, o tipo de teclado que simboliza a BlackBerry. Escrever num teclado físico tem vantagens em termos de celeridade, exactidão e mesmo feedback quando nem sequer estamos a olhar para o ecrã. É uma ferramenta poderosa e o Priv não quis deixar a tradição para trás, oferecendo aos utilizadores um teclado físico capaz de swipe e gestos para escrever.

Mas, se pensarmos que a necessidade deste teclado não é constante, então usamos simplesmente o ecrã curvo. É verdade, o Priv usava um ecrã AMOLED curvo quando a Samsung tinha coragem para dobrar apenas uma das laterais do seu Galaxy S6, e poucas marcas apostavam ainda nos ecrãs OLED. Ainda por cima, tratava-se de um ecrã 2K, uma aposta antes do seu tempo, certamente, se bem que por então a Sony anunciava o Xperia Z5 Premium como o primeiro smartphone 4K do mundo.

Hardware ao nível dos melhores

Em termos de hardware, o BlackBerry Priv encontrava-se entre os melhores do final de 2015. Se bem que por então o processador de topo era o Snapdragon 810, a BlackBerry optou pelo 808, uma decisão sábia e eficaz, considerando os problemas de sobraquecimento que entretanto começaram a afectar com gravidade o 810, fazendo com que o hexa-core 808 acabasse por ter uma performance equivalente. De resto, com 3GB de RAM e 32GB de armazenamento, não poderíamos dizer que o Priv tivesse carências de hardware.

Entretanto, a câmara principal era uma unidade de 18MP f/2.2 com ópticas Schneider-Kreuznach, a bateria oferecia interessantes 3410mAh com Quick Charge 2.0. Por então eram os dias de entradas microUSB, mas a compatibilidade com SlimPort permitia ao BlackBerry Priv espelhar o ecrã numa televisão. Nada mau, certo?

Curiosamente, apesar de ser um smartphone focado na segurança, o BlackBerry Priv não tinha qualquer leitor biométrico, sendo esta a sua maior lacuna em pleno 2015. A BlackBerry tem algumas implementações de segurança muito interessantes, mas a ausência da biometria não deveria ter acontecido.

Um BlackBerry passado mas nunca esquecido

O BlackBerry Priv foi um dos smartphones mais extraordinários de 2015 e o melhor BlackBerry até então, mas surgiu numa altura em que a marca começava a adoptar o Android em detrimento do seu próprio sistema operativo em declínio. Os dados estavam já lançados para a BlackBerry, de qualquer modo, e o Priv nunca teve a promoção que merecia.

Como exercício de design e funcionalidade, o Priv era impressionante. Tivesse nascido com o selo Apple, Samsung, Huawei ou Sony, a sua história seria diferente. Mas a história quis que tivesse nascido como um grito de vida derradeiro por parte da original BlackBerry, tornando-se um smartphone antes do seu tempo, um slider antes dos sliders estarem na moda por frivolidades, que ainda hoje pede por um substituto à sua altura.

Fica aqui o mote!

Será o BlackBerry Key2 um smartphone à prova de futuro?

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