É oficial (ou quase): o LG G6 terá processador Qualcomm Snapdragon 821 e é o ponto final nas esperanças de quem esperançava por um Snapdragon 835. E isso pode bem ser irrelevante.

A nossa história começa na CES de Las Vegas, quando alguém cometeu o descuido de deixar à vista de todos um slide confidencial da LG. Um mês depois alguém percebeu que tinha a imagem no arquivo.

Eis que nessa imagem fica muito claro que o processador será um Qualcomm MSM8996AC, um Snapdragon 821. Melhor que anúncio oficial.

Via SemiAccurate

Poderão começar neste momento os coros de tristeza, mas será mesmo grave que o LG G6 não possua o Snapdragon 835?

Tudo se resume a uma questão de estratégia: a opção é entre lançar já um smartphone com um processador altamente eficaz, ou ter que esperar até Maio ou Junho até poder lançar o equipamento.

Confrontada com a possibilidade, a LG G6 preferiu adiantar o lançamento do LG G6, recorrendo ao Snapdragon 821. É a mesma estratégia da HTC, que preferiu garantir as vendas dos HTC U Ultra e HTC U Play, capitalizando os atrasos dos restantes concorrentes em fila de espera pelo Snapdragon 835.

Deveríamos ficar preocupados com falta de potência?

O mercado leva-nos a querer sempre o mais recente e mais poderoso processador. Mas, quando chegamos à gama alta, a maioria dos smartphones mais do que excede a capacidade requerida pelo quotidiano dos utilizadores.

O Snapdragon 821 tem dominado as listas de benchmarks. É o mais poderoso chip do mercado atual, e qualquer smartphone que o carregue é invejável. Isto não muda de hoje para amanhã só porque um novo processador é lançado.

Quantos de nós têm o seu smartphone de €600-€800 com Snapdragon 821 e pensam: “isto é lento, preciso de algo com Snapdragon 835, no mínimo”?

Questões filosóficas à parte, há simplesmente dois tipos de consumidores: aqueles que podem esperar mais uns meses, e aqueles que querem o seu novo smartphone agora.

Se queremos um smartphone com o Snapdragon 835, então esperamos pelo Samsung S8. Se queremos um flagship novo agora, então agarramos o LG G6. Este terá mais de um mês de mercado sem concorrência da Samsung, com potencial para vender centenas de milhares de unidades – quiçá milhões – só pelo efeito novidade.

Mas a LG não tomou a decisão de forma simples. Para a marca coreana, um facto é incontornável: o Snapdragon 835 não estará disponível em quantidade até Maio, talvez Junho.

Nessa fase, muitos flagships com Snapdragon 835 terão visto milhões de vendas diluirem-se em concorrentes que se anteciparam. É difícil estar sentado a ver os nossos concorrentes vender enquanto temos de nos limitar a esperar.

Mas não há Snapdragon para ninguém, porquê?

O Snapdragon 835 é um processador revolucionário, o primeiro a ser fabricado em litografia de 10nm. Os desafios para produzir chips com transistores a este nível são incomensuráveis, não admirando que a Qualcomm se tenha aliado à Samsung para chegar ao mercado em primeiro lugar.

E portanto a Samsung reservou para si a primeira fornada de 835. Mas não o fez por malícia ou estratégia, fê-lo por necessidade absoluta.

O Snapdragon 835 é uma parceria entre Qualcomm e Samsung.

Como explica o SemiAccurate, o processo de fabrico de um chip como o Snapdragon 835 pode demorar até 20 semanas, com a agravante de que são necessários meses de testes até refinar o processo ao ponto de se obter um máximo de componentes que passem o controlo de qualidade.

Posteriormente ainda será necessário esperar mais tempo até que a produção atinja a cadência necessária para responder à procura.

Se aceitarmos que o Snapdragon 835 iniciou a sua vida em Outubro, e se encontrava em produção em Novembro, só no final de Fevereiro veremos os primeiros chips de série.

Um chip tão avançado coloca obviamente um peso não negligenciável sobre uma indústria, mesmo um poderoso conglomerado como a Samsung. Antes de Abril, a Samsung já deverá ter chips disponíveis para outras marcas, mas em número limitado, para testes, ensaios e início de montagem.

Isto porque a capacidade industrial da Samsung estará no limite para fornecer os chips para os seus próprios Galaxy. Se Samsung e Qualcomm abrissem as portas a todas as marcas já em Fevereiro, todos estes modelos de topo anunciados (do Samsung Galaxy S8 aos novos Xperia, passando pela Nokia) seriam afetados por produções limitadas e indisponibilidade nas lojas.

Seria potencialmente um desastre: as vendas iniciais marcam o sucesso futuro de qualquer smartphone. Nenhuma marca quer passar pela impossibilidade de satisfação imediata do cliente, o que poderia condenar o smartphone à nascença.

Portanto, sabemos apenas isto: teremos que esperar até Junho ou julho pelos primeiros equipamentos com Snapdragon 835. Entretanto, o LG G6 estará nas prateleiras, disponível, e com um processador atraente.

O LG G6 será muito mais do que o processador

Obviamente, um smartphone não pode ser reduzido ao processador. Se o LG G6 não terá o absolutamente melhor em termos de processamento, terá inúmeras caraterísticas que, para muitos, serão pelo menos tão importantes quanto o processador.

Uma será o novo ecrã Full Vision de 5.7 polegadas e rácio de aspeto 18:9. Além de chegar praticamente sem margens, o ecrã apresentará resolução QHD+, com a LG a considerar tratar-se de uma abordagem mais adequada ao novo mundo multimédia.

Full Vision: o ecrã do LG G6 será praticamente sem margens.

Embora não seja claro se o LG G6 chegará com um painel traseiro de vidro ou metal, a resistência à água está praticamente confirmada. Em resultado, a bateria não será amovível, mas a perda mais do que se vê compensada pela capacidade do smartphone resistir melhor a condições atmosféricas adversas.

Teremos o regresso das câmaras duplas principais. Neste capítulo a LG tem sido uma força dominante, com algumas das melhores câmaras do mercado, e o LG G6 não deverá mudar isso.

Finalmente, há a nada negligenciável presença de um assistente virtual que poderá ser o Assistente Google, a Amazon Alexa, ou ambos.

Os assistentes virtuais mais avançados, tais como os exemplos nomeados, permitem ao utilizador uma maior eficácia na utilização do smartphone como ferramenta de trabalho e organização quotidiana.

O LG G6 terá um assistente virtual, quiçá o Assistente Google.

Será a primeira vez que um smartphone LG possuirá este tipo de funcionalidade e não podemos deixar de ter curiosidade quanto às suas possibilidades diferenciadoras.

Em suma, a LG desiste do absolutamente melhor Snapdragon 835 para colocar no mercado um terminal bastante completo, meses antes do que seria possível de outro modo.

Com equipamentos como o OnePlus 3T ou o Google Pixel acima de qualquer crítica em termos de performance, o Snapdragon 821 no LG G6 não irá desiludir.

A questão aqui é se a espera compensará às marcas em fila de espera para o Snapdragon 835, ou se a LG teve razão desde o início.

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