Tempos houve em que os ultraportáteis se viam reduzidos a um nicho de equipamentos mais leves que o normal, enquanto a generalidade das pessoas se contentava com algo mais ou menos portátil. Recentemente, os ultraportáteis tornaram-se mais requisitados, talvez potenciados pelos novos estilos de trabalho híbrido e a certeza de que vamos andar com os nossos portáteis muitas mais vezes às costas. Com uma família já bastante ampla de equipamentos leves, a HP criou ainda assim uma família de equipamentos que pontuam por irem ainda mais longe na portabilidade com poupança de peso e bateria de grande autonomia. Falo dos Aero, sendo que há pelo menos um para cada grande família da HP: depois de ficar impressionado com o HP ProBook 635 Aero G8 e com o HP Pavilion Aero 13, definitivamente um dos portáteis a comprar em 2021 e 2022, caiu-me nas mãos o HP EliteBook 840 Aero G8, um monstro empresarial de pisada leve.

Especificações técnicas

  • Processador: Intel Core i7-1165G7
  • Ecrã: LCD 14″ 1920 x 1080
  • Armazenamento e memória: 1TB SSD, 16GB de RAM
  • Gráfica: Intel Iris Xe
  • Conectividade: Wi-Fi 6 AX201 802.11a/b/g/n/ac/ax (2×2) e Bluetooth 5, vPro; LTE ou 5G
  • Portas: 2 x USB-C Thunderbolt 4, USB-A 3.2, HDMI 2.0, jack de áudio/microfone
  • Autonomia: 53Wh
  • Peso: a partir de 1.13Kg
  • Dimensões: 32,23 x 21,49 x 1,78 cm

Discrição institucional

O design do HP EliteBook 840 Aero G8 é institucionalmente elegante, minimalista e pouco notável. Há um toque de elegância no acabamento das duas metades em chanfra, o que tem a utilidade adicional de permitir com mais facilidade encontrar a separação entre a base e a tampa para a levantar. Claramente, o objetivo da HP foi criar um dispositivo que pode facilmente esconder as suas enormes capacidades numa sala de reuniões, onde as suas linhas geralmente semelhantes a outros EliteBook e ProBook de vocação empresarial não sobressaem para se tornarem o centro das atenções.

Por vezes torna-se difícil distinguir um HP empresarial de outro, e isso faz parte do negócio. O EliteBook pode também misturar-se facilmente com um ProBook a alguma distância, mas quando pegamos nele a diferença já se faz notar ao toque, já que ao contrário do plástico predominante nos ProBook, o EliteBook conta com um chassis de liga de alumínio e magnésio para uma solidez bem mais notável e um toque mais robusto. O alumínio é mais frio e tem uma sensação de metal muito mais notável que esta liga, mas a vantagem do magnésio é conseguirmos ter um equipamento substancialmente mais leve do que se este fosse fabricado em alumínio e é assim que o EliteBook pesa apenas 1.13Kg na sua configuração sem ecrã touch, podendo ir até aos 1.32Kg. Não é o mais leve de todos, mas em termos de relação desempenho/portabilidade, é extraordinário.

Esta leveza faz toda a diferença quando andamos com o portátil constantemente e vale bem a perda do que muitos considerarão o “importante” toque do metal. Psicologicamente podemos ansiar por este feeling, mas os nossos ombros e costas agradecem a menor carga. Embora os EliteBook 800 sejam – tecnicamente – a gama média dos EliteBook, a HP fez um trabalho excelente de dar ao 840 Aero um estilo e sensação que parecem acima do seu segmento.

Por outro lado, o EliteBook mostra para o seu tamanho excelentes opções de conectividade física, com o lado esquerdo a oferecer, além da tomada elétrica, uma porta HDMI e duas portas USB-C. Opcional é a ranhura para a conectividade celular 5G, um ponto muito importante que oferece grandes vantagens de conectividade em movimento e que é uma raridade ainda. Entretanto, do lado direito tem um conector de segurança, duas portas USB e uma tomada mista de auriculares/microfone e, no nosso caso, um leitor de smartcard.

O EliteBook é um pequeno prodígio de conectividade e nem falo do 5G, mas da possibilidade de usarmos tanto o conector de corrente, quanto a porta USB-C e a USB-A para carregar o portátil. De destacar Que me lembre, é o primeiro portátil com três opções de carregamento de que me lembro, para que nunca tenhamos de pensar em ter o carregador connosco.

Ecrã Oldschool para trabalho à séria

Um capítulo só para o ecrã? Não pensei em fazê-lo, mas aqui estamos. A verdade é que temos assistido a cada vez mais portáteis com ecrãs 16:10, mas o EliteBook mantém um formato de 16:9. Tenho visto muitas discussões sobre como o 16:10 é o novo pão fatiado, e ao escrever estas linhas… sim, preferia estar a escrevê-las num ecrã 16:10 com mais área vertical.

Mas ao voltar para o escritório, com dashboards e fluxos de trabalho, e um software otimizado para 16:9, a verdade é que tenho todas as vantagens em usar um ecrã com esse formato. Vai passar algum tempo até milhares de empresas e software proprietário decidir readaptar-se ao novo padrão 16:10, por isso não se deixem influenciar pelo formato da moda e escolham o formato em que neste momento mais trabalham na empresa. No meu caso? 16:9, e por isso não vai ser por aqui que encontro crítica para o EliteBook e – muito francamente – acho que a HP deve ter percebido o mesmo que eu e por isso não forçou a barra para um ecrã mais alto.

Quanto às características práticas, o EliteBook conta com ecrãs de 14″ FHD com ou sem o SureView e a minha unidade de testes era do primeiro caso, felizmente, porque a minha utilização não é tão securitária que queira abdicar da luminosidade extra do ecrã normal. Não há opções 4K, de qualquer forma de utilidade questionável para os nossos Excel detalhados, certo?

O ecrã tem 400 nits, suficiente para uma utilização polivalente e boas cores sem vícios notáveis, embora não tenha o coice de um AMOLED ou de um ecrã feito para designers gráficos. Não há razão de queixa neste capítulo e, face à minha experiência profissional, diria que devemos olhar primeiro para o que vamos fazer com o ecrã e depois decidir se precisamos do formato da moda ou não.

Se for importante para vós, o Elitebook 840 Aero G8 não tem opção por ecrãs 4K.

Desempenho, segurança e conforto empresarial

No mundo empresarial, os computadores HP são uma vista comum, e o design discreto destes serve um propósito muito direto de não chamarem à atenção numa reunião. Aí, o que importa são os dados a apresentar, as decisões a tomar, e não é o portátil de A ou B que deve tornar-se o centro das atenções.

Mas há características fundamentais no que são os portáteis de um corpo empresarial para as quais o Elitebook 840 Aero G8 foi talhado com grande cuidado. Mais do que qualquer outro tipo de computador, os portáteis empresariais têm de combinar resiliência, autonomia, performance e segurança. Começo por aqui, porque por trás deste chassis levezinho e discreto, o Elitebook 840 Aero G8 está recheado de ferramentas de segurança que salvaguardam os nossos dados. A começar pelo processador vPro para permitir mais fácil gestão aos departamentos IT, o Wolf Security com Sure Click que cria uma máquina virtual segura para cada tabulador num browser, e claro que a opção por um Smart Card coloca este portátil pronto para ser usado por uma entidade pública ou financeira com autenticação por cartão.

Para o utilizador normal, estas ferramentas de segurança podem passar despercebidas, mas para os departamentos de TI e para as empresas, são adições fenomenais que oferecem alguma paz de espírito numa altura em que os ataques cibernéticos são frequentes e muitas empresas têm dificuldades em acompanhar. Que cada portátil seja altamente seguro, retirando algum peso de cima da própria empresa é algo que será extremamente atraente.

Entretanto, para os mais banais utilizadores como eu, temos a bordo câmara IR com Windows Hello e leitor de impressões digitais, parecendo ficar em falta apenas o absoluto máximo dos equipamentos high end, como desligar o ecrã quando me afasto.

Por outro lado, os portáteis empresariais vão andar constantemente de um lado para o outro e o manuseio não será o mais dócil, por isso o chassis de liga de magnésio do, o seu chassis em magnésio oferece-lhe uma resistência admirável face ao seu peso. Há uma robustez palpável aqui, com os componentes a mostrarem pouca tendência a distorções e parece-me que este será um portátil que não nos dará um ataque cardíaco se um dia deixarmos cair a mochila. Por outro, se há algo que podemos esperar de um computador empresarial discreto é que ofereça a sua discrição ao longo de muitas horas de trabalho potencialmente cansativo e stressante.

Neste ponto, o HP é supremo. Regressando ao chassis de magnésio, a solidez oferece uma plataforma bastante estável ao teclado para podermos utilizá-lo de forma algo frenética sem ruído excessivo ou oscilações. O teclado está muito bem capacitado para este trabalho longo, com uma atuação confortável e silenciosa das teclas, e a digitação resulta, portanto muito efetiva, exata e pouco propensa à fadiga. A base não flete, não cede quando pressionamos as teclas com mais força, e isso é imensamente satisfatório. A retroiluminação, por outro lado, é uma característica muito bem-vinda para trabalharmos em condições de luminosidade menos ideais.

O trackpad é de elevada qualidade e aceita muito bem os gestos e cliques, mas é além disso contemplado com um joystick no meio do teclado, uma característica ausente da maior parte dos equipamentos. Na prática, com o meu uso usual, não recorri muito a esta funcionalidade, mas há um certo conforto em lá estar, já que é um modo muito eficiente de avançar o cursor de forma acelerada para uma linha específica de dados. Temos ainda dois botões físicos com um clique muito satisfatório, embora, a porção inferior do trackpad também seja clicável, para o que temos uma ampla gama de entrada de inputs, à medida de todas as preferências.

Portanto, com tudo somado, quem vive da inserção de dados, o EliteBook 840 G8 é o paraíso na terra, com uma utilização confortável, mesmo que de forma prolongada.

Mas ninguém consegue, hoje em dia, ter uma vida pacífica de inserção de dados, e as conferências são uma regra. Vamos utilizar este equipamento muitas vezes para reuniões no Teams ou no Zoom e aqui há a vulnerabilidade da câmara ser apenas HD, uma fragilidade que é praticamente transversal a todos os computadores portáteis. Neste ponto definitivamente o EliteBook não brilha, mas em contrapartida também não fica pior do que a maioria dos computadores que vão estar do outro lado! Já os altifalantes B&O comportam-se exemplarmente. Se nunca posso esperar Hi-Fi de altifalantes de portáteis para música ou multimédia, para reuniões o som é forte e nítido, bastante fiel até, e oferece um dos desempenhos mais sólidos no mercado para reuniões.

Ainda mais importante, há a considerar o hardware de processamento a bordo a bordo. A HP oferece-nos uma ampla possibilidade de configurações possíveis para o nosso EliteBook, sendo que o seu expoente máximo inclui a versão que recebemos para testes, com um potente intel Core i7-1156G7, um octa-core da geração Tiger Lake, com quatro núcleos Willow Cove a 2.8GHz com TDP de 28W (máximo de 4.7GHz) e 16GB de RAM. É mais do que suficiente para uma performance irrepreensível, quanto a trabalho quotidiano no Office e outras ferramentas de produtividade, obtendo uma pontuação de 5073 pontos no PCMark 10 e 5164 no novo Procyon, um teste mais afinado para as tarefas específicas de trabalhar com o Office. Com a gráfica integrada Iris Xe, o 3DMark dá-nos uma pontuação modesta de 1503 pontos, ainda assim amplamente superior ao que poderíamos almejar há alguns anos.

Então chegamos a outro ponto fundamental num equipamento empresarial: a autonomia. Num portátil de gaming, ou num ultraleve de utilização pessoal, posso perdoar uma autonomia menos feliz, mas num portátil empresarial como este, sacrifico de bom grado uma maior capacidade de processamento ou funcionalidades adicionais para ter uma autonomia maior. Felizmente, no EliteBook 840 Aero G8, não pareço ter que sacrificar absolutamente nada.

Com o Intel Core i7 tenho capacidade de sobra para uma utilização quotidiana em poupança de bateria e a autonomia surpreendeu-me muito pela positiva. A capacidade de processamento é claramente convidativa para fazermos algum trabalho pesado de análise de dados e folhas de cálculo e no TDP máximo com certeza podemos ver a carga a ir em 4 ou 5 horas, mas num cenário normal de utilização que inclua uma distribuição mais realista de tarefas, não nos limitando a cálculos de fórmulas ou documentos pesados, podemos esperar 8 a 9 horas de autonomia, mais perto das 8H se incluirmos algum zoom no nosso dia, um valor que não é recordista, mas é muito meritório, considerando a leveza e portabilidade deste equipamento.

Desempenho a preço de ouro

O HP EliteBook 840 Aero G8 é um equipamento empresarial que combina portabilidade e hardware de uma forma quase infalível, fazendo extremamente bem tudo aquilo a que se propõe fazer para o segmento empresarial. Se me colocassem um nas mãos na empresa, iria rejubilar na certeza que os ficheiros de Excel que me levam 10 minutos de processamento, rapidamente passariam para 1 minuto ou 2 de incómodo, e não teria problemas em andar com o portátil de sala em sala para qualquer reunião, trabalho ou análise. A cereja no topo do bolo é mesmo um teclado irrepreensível, que torna toda a experiência de produtividade muito agradável e facilmente lhe perdoo a câmara banal.

Portáteis empresariais com esta combinação de características são raros e por isso tornam-se excitantes para quem quer maximizar a sua produtividade sem estar preso a uma mochila pesada ou de grandes dimensões. Para lá do seu hardware muito interessante, o Elitebook apresenta ainda inúmeras ferramentas de segurança que oferecem garantias adicionais a qualquer empresa.

O que o HP EliteBook 840 Aero G8 não é, é certamente barato. A sua ultraleveza combinada com hardware potente e a segurança adicional do chassis de magnésio, são características que outros portáteis podem invejar e isso tem um impacto no preço. O Aero não é tanto um cavalo de combate das frotas empresariais. É antes um garanhão para os executivos que querem uma ferramenta que percorre o caminho extra em direção a características exclusivas e diferenciadoras.

REVIEW GERAL
Design & Construção
8.3
Hardware
9
Performance
8.5
Bateria
8.5
Experiência de utilização
8.5
Relação qualidade-preço
7.5
Fotografia, tecnologia, ciência: investigar escrever é uma paixão. Nas horas vagas, a caminho do trabalho ou de casa, cada minuto conta para descobrir e divulgar algo novo.

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