O mundo da fotografia sabia há algum tempo que a Panasonic iria entrar no campeonato das 35mm, e de facto esperávamos que o anúncio fosse feito antes do final do mês. A Panasonic não foi tão longe quanto o revelar câmaras completas, mas confirmou que está de facto a desenvolver duas novas full frame e o que sabemos é que será uma aposta game changing, com o peso da Leica por trás, e a usual qualidade reconhecida às Panasonic.

Anos atrás havia Canon e Nikon, com a Sony/Minolta bem atrás e a Pentax a tentar sobreviver. A dominância das duas grandes era incontestável, mas a entrada em cenas das mirrorless significou o ressurgimento de marcas como a Fujifilm, Panasonic e Olympus, que souberam bem agarrar esta oportunidade, com as duas últimas a apostarem no micro quatro terços. A entrada da Panasonic no full frame é, por isso, um passo game changer, não só para a marca, mas para o mercado.

Afinal, por excelência, as câmaras com sensores de 35mm são equipamentos procurados preferencialmente por profissionais, pelo que para a Panasonic este caminho significa montar toda uma estrutura logística de apoio a profissionais, com serviços pós-venda, soluções especializadas e parcerias.

As câmaras não se fazem sozinhas e o primeiro anúncio da Panasonic faz-se via três objectivas perfeitamente clássicas para fotógrafos profissionais e que primam pela polivalência: uma 50mm f/1.4, e duas zoom f/2.8 igualmente clássicas: 24-105mm e 70-200mm, a minha gama zoom preferida para concertos em festivais de espaço aberto.

É deveras interessante que a Panasonic não tenha desenvolvido uma baioneta nova, mas estabelecido uma parceria com a Leica para utilização da baioneta Leica L, lançada em 2014 com a Typ 701. Mas, agora, a par com estes anúncios, foi igualmente lançada a L-Mount Alliance, essencialmente uma parceria entre Leica, Panasonic e Sigma, que permite a qualquer uma das três marcas a produção de objectivas compatíveis. Assim, a partir do momento que a primeira S1 chegar ao mercado, terá já uma ampla selecção de objectivas ao seu dispor.

Mas o que sabemos efectivamente sobre as Panasonic S1 e Panasonic S1R?

Na verdade pouco, ainda. Serão câmaras mirrorless, como é óbvio, e terão sensores de 35mm, o que fica patente desde o título deste artigo. Fora isso, sabemos que a Panasonic S1R terá um sensor de 47MP e a S1 ficará pelos 24MP. Assumindo tudo o resto idêntico, a S1R estará vocacionada para os fotógrafos de estúdio com foco na máxima resolução possível, seja eventos ou paisagistas, enquanto a S1 poderá ter mais performance em termos de cadência de disparo, útil para eventos e desporto, e para vídeo.

É expectável que a Panasonic inclua o seu conceituado sistema de estabilização de imagem com base no sensor, com estabilização de 5 eixos. A marca removeu-o da recente GH5S focada no vídeo, por razões óbvias (por um lado porque produz calor extra e portanto ruído, por outro porque os profissionais de vídeo vão tendencialmente montar a câmara em estruturas estabilizadas), razões essas que não deverão verificar-se aqui, com um corpo maior e mais amplo.

Aqui, de destacar que ambas as Panasonic filmarão 4K a 60fps, as primeiras mirrorless full frame com esta capacidade. Daí talvez, o seu volume generoso que parece pouco mais compacto que uma SLR, mas que será com toda a certeza importante para a dissipação do calor causado pelo sensor e pelo IBIS.

Todavia, as mais finas tecnicidades da implementação ficaram de fora. Aquela que será a sua rival mais directa, a Sony A7 III, recorre a um sensor idêntico de 24MP e recorre a um downsampling de 6K para o vídeo final 4K e a Panasonic deverá fazer o mesmo, de modo muito expectável. O vídeo 4K sempre foi uma grande aposta da Panasonic. Basta pensarmos que em 2014 a GH4 foi a primeira mirrorless com capacidade para gravação de vídeo 4K, e a Panasonic nunca mais lhe perdeu o jeito ou o gosto.

Pormenores talvez menos técnicos, sabemos que ambas as câmaras terão um LCD posicionável, mas oferecerão ainda assim protecção completa contra elementos externos, característica importante para profissionais de exterior.

O anúncio levado a cabo pela Panasonic hoje, dia 25, foi um acto muito menos isolacionista do que os que vimos com os anúncios das recentes Canon R e Nikon Z. Dez anos após o nascimento da Panasonic Lumix G1, o anúncio da Panasonic é um de parcerias e sinergias, que se percebe ter sido pensado amplamente. O mercado fotográfico não está no seu melhor momento, face à ameaça dos smartphones, mas essa é uma ameaça que dificilmente será levada a sério pelos fotógrafos profissionais que a Panasonic quer captar. No papel, pelo menos, as Panasonic S1 e S1R têm tudo para o sucesso.

A data de lançamento de ambas as câmaras ainda é um mistério, mas os protótipos estarão já disponíveis na Photokina de Berlim, de 26 a 29 de Setembro.

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