Quando um HP tem um nome de modelo que não é tão sonante quanto Envy, ou mesmo Pavilion, sabemos que se trata de uma opção para quem quer um equipamento barato e funcional para uma utilização leve. Mas o facto de ser barato não significa que estes modelos com nomes genéricos não mereçam uma vista de olhos. Muito pelo contrário, podem bem ser os cavalos de combate da HP no mercado de consumo, já que tendem a oferecer um hardware à medida de utilizadores menos exigentes, porquanto os processadores Intel de última geração oferecem excelente performance. Bem escolhidos, equipamentos como o HP 15s-fq2000nq (também conhecido por HP 250 G8) podem mostrar performance muito superior a equipamentos mais caros de apenas uma ou duas gerações atrás.

Configuração (como testado):

  • Processador: Intel Core i3-i3-1115G4 Tiger Lake
  • Gráfica: integrada, Intel UHD Graphics G4
  • Memória, 8GB de RAM LPDDR4, 256GB SSD
  • Ecrã: IPS de 15.6″ 1808×768
  • Bateria: 41Wh

Design de continuidade

Para a nova geração dos seus computadores de gama de entrada, a HP permitiu que o design dos seus mais potentes Envy e Elite gotejasse para os preços mais baratos, embora com as limitações normais deste segmento. As linhas gerais e o plástico algo maleável do HP não enganam quanto ao seu segmento, mas as linhas são no geral elegantes, sem chegarem a ter a acutilância de um Spectre ou Envy. Evoluem pouco sobre as gerações anteriores, mas o suficiente para se manterem contemporâneas.

Ponto claramente herdado dos computadores mais caros é o apoio de mãos na cor do restante chassis, o que permite uma integração muito mais discreta entre este painel e as laterais de plástico. O teclado aproveita bem toda a largura do corpo do portátil e as colunas estéreo ocupam o espaço entre o teclado e o ecrã, deixando o painel inferior livre qualquer perfuração. Não encontramos aqui luxos como leitor biométrico e o teclado não é iluminado, o que volta a colocar em cima da mesa o meu queixume de que quando bate luz neste teclado elegante e bonito, é quase impossível vermos os carateres impressos.

Do lado da conectividade física, o chassis mostra duas portas USB-A (3.1 Gen1) na lateral esquerda, uma porta HDMI 1.4b e uma porta USB-C 3.1 (Gen1) do lado direito, juntamente com um jack de áudio e um leitor de cartões, um mix muito interessante que nos permitirá andar sem dongles atrás. Por outro lado, talvez para tornar o chassis o mais elegante possível, são apenas visíveis dois parafusos na base, pelo que para abrirmos este equipamento para alguma manutenção teremos de remover os patins de borracha, o que me leva a desaconselhar estas operações em casa, sem as ferramentas certas.

No geral, a qualidade de construção é boa, mas não estelar, com um chassis muito maleável e os componentes com linhas de junção muito óbvias. É algo que tem impacto mais à frente, na forma como utilizamos o equipamento.

Ecrã sem surpresas

O ecrã a bordo é uma unidade TN LCD de 15.6″ de diagonal e apresenta resolução FHD 1366 x 768. É protegido por um painel de plástico fosco, por comparação ao vidro de equipamentos mais caro e apresenta cores razoáveis, mas pouco expressivas que não se prestam a uma utilização focada na qualidade dos gráficos. A saturação não é totalmente comparável aos melhores ecrãs do mercado e os pretos não o são totalmente, o que tira algum coice às cenas mais dramáticas num filme, por exemplo.

O painel também não é particularmente adepto de manter os ângulos de visão e há muito visivelmente um ângulo ótimo para a posição da tampa em relação aos nossos olhos para tirarmos daqui o melhor proveito, sendo que alguns mais graus de inclinação e os contrastes minimizam-se visivelmente. Tanto mais se considerarmos que o revestimento fosco não tem a mesma qualidade dos equipamentos mais caros para clientes empresariais, difundindo os reflexos, mais do que os atenuando.

Este é um ecrã bastante amplo, com as suas 15.6 polegadas de diagonal, o que significa que não é difícil vermos algum serrilhamento a uma distância normal de visualização. Não é um problema para quem for trabalhar fundamentalmente com texto e aplicações de produtividade, existindo versões com ecrãs IPS FHD para quem necessitar da resolução extra.

Logo à frente do ecrã encontramos a grelha do sistema de áudio que tem – para variar – amplo espaço para oferecer algum volume, e oferece-o mesmo. O áudio atinge um volume sólido e denso, embora a qualidade seja expectavelmente lo-fi, com as músicas a surgirem com pouca diferenciação dos instrumentos. As baterias estão lá em baixo, atrás de uma barreira de guitarras e há algum eco na emanação em geral.

Teclado pouco discreto

O teclado do HP 15s-fq2000nq cobre toda a distância longitudinal do equipamento e oferece excelente espaçamento de teclas, tornando-se útil para quem vá gastar muito tempo a dedilhar documentos neste equipamento. As teclas são particularmente sólidas e não oscilam quando são atuadas, mas há um feedback muito elástico quando as pressionamos, necessitando de alguma força adicional nos dedos. Pelo lado positivo, é uma atuação sólida e certa que me agrada bastante.

Embora seja um teclado muito positivo na generalidade, principalmente considerando o orçamento, este teclado sofre com o suporte de mãos demasiado flexível, o que significa que cada atuação leva um pouco o painel consigo e acaba por gerar muito mais barulho do que esperado à medida que teclamos, sendo difícil compor um texto discretamente. É um barulho que não se resume ao barulho de cada tecla, mas que reverbera ao longo do painel e se torna algo confuso e cansativo quando aceleramos o ritmo de escrita. Juntando este ponto aos caracteres difíceis de distinguir, a experiência global de escrita poderia ser mais agradável, mas do lado positivo as teclas são muito confortáveis e do melhor que podemos ter neste segmento.

Curiosamente, por todo o espaço disponível, o trackpad é relativamente pequeno, com boa largura, mas pouca profundidade. Ainda assim não compromete particularmente a utilização e tem boa sensibilidade aos toques e gestos. Neste ponto não temos absolutamente nada a criticar a HP, que oferece uma boa ferramenta de apontamento.

Performance e experiência de utilização

O HP 250 alinha um processador Intel Core i3-1115G4, um dual core da série Tiger Lake que é a mais recente da marca à data de lançamento do equipamento. É munido de 8GB de RAM e acompanhado (curiosamente) de um SSD SK Hynix de 256GB, o que significa um armazenamento razoável.

A performance do i3-1115G4 coloca este equipamento num bom patamar para quem procura um portátil para tarefas quotidianas básicas ou intermédias, e parece-me que sobra espaço para algum trabalho mais pesado ao nível de folhas de cálculo. O meu portátil de trabalho usual é um HP com um i5 de 8ª geração e o salto qualitativo da Intel nos últimos anos é notório. O lado menos positivo deste processador é que não inclui uma Intel Iris Xe, mas uma Intel Graphics UHD Xe que não acompanha a performance geral das Iris Xe e, por isso, limita bastante este portátil se procuram um terminal para trabalhos gráficos importantes.

Portanto, com uma pontuação global de 3997 pontos no PC Mark 10, o HP 15s-fq2000nq não terá problemas nas tarefas quotidianas de gestão de emails, navegação na Internet e edição de documentos, mesmo que tenham peso substancial, enquanto para as folhas de cálculo empresariais com alguns milhares de linhas com fórmulas, já começará a mostrar alguma tendência de abrandamento. Os 8548 pontos no item Essentials e os 5987 em produtividade mostram bem a vocação deste equipamento, enquanto que os 3337 nos testes de criação de conteúdos estabelecem o limite deste equipamento.

Ou seja, é um equipamento cujas limitações dificilmente se notam para uma utilização não especializada e polivalente. É um equipamento muito semelhante ao HP 15-bs109np que analisamos em 2018, mostrando bem um update tanto ao nível do design, quanto da performance que não fica mal ao a compararmos com equipamentos definitivamente mais premium como o EliteBook x360 1040 G7.

É algo que se confirma com os 866 pontos no 3DMark, um valor que desaconselha qualquer tipo de gaming avançado, enquanto os 2280 pontos no Cinebench não autorizam edição de vídeo para lá dos clips básicos ou então se tivermos muito tempo em mãos para esperar por um trabalho.

A seu favor, não senti que aquecesse particularmente, o que não é surpreendente, considerando o hardware a bordo e as dimensões do chassis, que permitem alguma superfície de dissipação de calor.

Autonomia

A nossa unidade conta com uma bateria de 41Wh, valor que está na faixa superior do que conseguimos encontrar regularmente nestes equipamentos mais baratos, mas não por muito. Não temos carregamento rápido a bordo, mas a autonomia pode chegar confortavelmente a umas 7-8 horas de escrita e navegação em utilização mista, algo mais se simplesmente andarem a navegar pela internet ou a ver filmes, o que é bastante correto para um equipamento destes. Com algum cuidado, as 9 horas parecem-me possíveis, na verdade, se nos limitarmos a uma utilização principalmente de ecrã em streaming, por exemplo.

Conclusão: performance a bom preço

O HP 250 G8 (15S-FQ2000nq) é um equipamento económico para um público generalista que não procura especiais predicados em gaming ou multimédia. Pelo contrário, procuram um computador para tarefas leves e quotidianas que não sofra em performance ou autonomia, que é precisamente o que o HP consegue colocar em cima da mesa ao combinar um hardware muito razoável com processadores de última geração e performance muito agradável que não abafa quando andamos pelas redes sociais ou abrimos um número exagerado de separadores.

Os HP 15S estão disponíveis em bastantes configurações possíveis, desde processadores como os AMD Athlon aos mais potentes Intel Core i5 e i7, adequando-se facilmente às necessidades de cada um, pontuando acima de tudo por um preço muito acessível em qualquer uma das suas configurações. Dependendo destas, é tão fácil encontrar um HP 15s para estudantes do ensino básico, como do universitário e mesmo profissionais à procura de um equipamento barato para melhorar o seu trabalho. É uma maleabilidade muito interessante que por vezes não encontramos nos equipamentos mais premium.

O nosso equipamento de testes, com um Intel Core i3-1115G4, 8GB de RAM e 256GB de armazenamento SSD, tem um preço de mercado que ronda os €500, tornando-se muito atraente como computador essencial para utilização quotidiana. Claro que não tem os golpes de Karaté para satisfazer um gamer, mesmo que um casual, nem o músculo para edição de vídeo ou imagem, mas o seu custo-benefício e performance são sedutores para quem se quer informatizar sem comprometer o orçamento.

REVIEW GERAL
Design & Construção
7
Hardware
7
Performance
7.5
Bateria
8
Experiência de utilização
7
Relação qualidade-preço
8.5
Fotografia, tecnologia, ciência: investigar escrever é uma paixão. Nas horas vagas, a caminho do trabalho ou de casa, cada minuto conta para descobrir e divulgar algo novo.

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