Um tablet? Um portátil? Algo no meio? A família ThinkPad agrupa os equipamentos da Lenovo destinados a profissionais e produtivos, oferecendo uma dezena de soluções para todos os gostos e necessidades, das mais potentes workstations, a cavalos de tiro de autonomia. Uma das soluções mais interessantes e ultraportáteis é precisamente o Lenovo ThinkPad X12 Detachable, um portátil que esconde uma verdadeira alma de tigre: o seu interior é dominado por um Intel Core i7 Tiger Lake, oferecendo uma capacidade de processamento inusitada para um “tablet”.

Com um espírito desportivo, o Lenovo ThinkPad X12 Detachable faz frente aos meninos grandes no jardim-infância, sem perder a sua genética ThinkPad e corresponder ao que esperamos deste nome em qualidade, filosofia e funcionalidades. Este é o concorrente dos Microsoft Surface para quem um portátil de trabalho tem de ter teclas físicas no trackpad, um joystick e ser – preferencialmente – negro como uma noite de inverno. É um design intemporal, renovado.

É definitivamente um ThinkPad, por todas e mais razões.

O pugilista de veludo

O Lenovo ThinkPad X12 Detachable é… preto. É definitiva e nada surpreendentemente preto. Há ThinkPads de outras cores (olá Titanium), mas o negro puro, institucional, sério, é definitivamente o que muitos se habituaram a ver num ThinkPad e, por isso, o X12 não destoa. A tradição fica-lhe bem, e fugir-lhe seria um sacrilégio. Este negro impenetrável esconde alguns segredos.

O design é superficialmente simples e elegante, com linhas retas e empresariais. No topo verificamos a existência de uma longa fileira de perfurações com uma saída de ar no topo direito, ambas mostrando-nos bem que, lá dentro, temos um animal que ruge. Ou sussurra. Como muitos equipamentos com carregamento rápido, o X12 dispara frequentemente a ventoinha interna quando o colocamos a carregar, mas ainda assim é apenas um sussurro mal audível.

É no feeling que o ThinkPad X12 Detachable se destaca. A superfície é rematada num acabamento aveludado muito suave, que não chega a ser escorregadio nem áspero. Resiste estoicamente a dedadas e sujidade, bem mais do que qualquer outro equipamento de que tenho memória. Há uma robustez clara neste chassis que não se dobra nem flete, mas não chega a ter o toque frio do metal. É normal: para a melhor combinação possível de resistência e leveza, a Lenovo optou por uma construção em liga de magnésio terrificamente sólida e alheia a distorções que lhe permite certificação de nível militar. A sua maior virtude vai para lá da estética, já que pessoalmente me transmite uma certa segurança, ao me parecer que é bastante mais resistente a pequenos danos e desgastes do quotidiano empresarial.

O Lenovo ThinkPad X12 Detachable é mais um tablet Windows do que um computador 2 em 1 e, como tal, a configuração inclui um teclado destacável e um suporte na parte traseira do ecrã que é manualmente ajustável para o ecrã se manter em posição. E adoro este teclado (a este ponto voltaremos): tem todas as imagens de marca da Lenovo: das teclas em “U”, ao joystick e às teclas físicas no trackpad. De notar que (louvável), a Lenovo coloca este teclado excelentemente rematado na caixa e nem por isso poupa nos detalhes ou nas funcionalidades.

Menos positivo é a óbvia conectividade física limitada a duas portas USB-C, o que implica conversores para os ecrãs e outros equipamentos nos escritórios, sejam ratos, teclados ou monitores externos. Por outro lado, são portas Thunderbolt 4. Toque interessante é uma tecla de controlo do volume numa das laterais para quando utilizamos o equipamento em modo tablet.

Num mundo onde os portáteis que seguem a filosofia dos inovadores Surface têm dificuldades em se realçarem, o ThinkPad X12 Detachable ergue-se: perfeitamente identificável, é a fórmula Surface oferecida a quem não se sentiria em casa longe de um Lenovo, a quem sabe perfeitamente o que procura e quer uma identidade específica, a identidade ThinkPad.

Teclado Folio feito bem

Recuo algo atrás: o Lenovo ThinkPad X12 Detachable é primeiro um tablet e depois um híbrido e, talvez por isso, careça da conectividade Bluetooth que permitia utilizar o teclado do Duet mesmo separado do corpo principal. Bom, e na nossa unidade de testes é claramente um teclado Espanhol, o que me causou algum reprogramar no modo de o abordar, mas ao fim de algumas horas de utilização já nem notava diferenças com um teclado Português.

Porque, no fundo, o teclado folio do X12 Detachable é absolutamente cativante. Do acabamento aveludado, à rigidez da plataforma extremamente fina, este teclado é uma tour de force de engenharia compacta. Um detalhe inteligente que podem notar à primeira vista, mas que vos soltará uma exclamação é que a porção de tecido flexível que conecta o teclado ao ecrã sobra solidamente sobre si própria para colocar o teclado em ângulo, mas pode – imagine-se! – desdobrar-se para o teclado ficar perfeitamente pousado sobre uma superfície, conferindo uma certa capacidade de reposicionamento das mãos.

Uma manga elástica na lateral permite mesmo manter aí firmemente a stylus incluída na compra!

A Lenovo utiliza uma área máxima para as teclas, e ainda inclui teclas de cursor de disposição normal. Em troca, as teclas PageUp e PageDown ficam abaixo do Shift, enquanto as Início e Fim ficam na fileira de cima, ao lado do Delete. É um agenciamento ao qual nos habituamos. E, precisamente as teclas de função são algo muito especial, já que concentram funções de acesso rápido de especial pertinência, como os controlos das chamadas telefónicas, controlo de rede, ajustes de áudio e de brilho, silenciamento do microfone, visualização rápida de notificações ou ações favoritas.

As tecla são sólidas e relativamente silenciosas, com uma facilidade de utilização surpreendente para um teclado tão claramente fino, embora seja sempre claro que não são tão soberbas quanto num ThinkPad tradicional. A distância de atuação é bem menor do que num ThinkPad tradicional, por exemplo, tal como já vimos no X1 Titanium, notando-se aqui ainda mais uma tendência para batermos com as teclas no fundo da plataforma, mas ainda assim a sua estabilidade é muito boa e teclar é um assunto fácil e de grande exatidão que deixa muitos portáteis a ver navios.

Não tenho muito a apontar ao joystick e trackpad. Funcionam que é uma maravilha no meu exemplo de testes e têm um posicionamento muito correto para que, enquanto teclarmos, podermos ativar os botões com os polegares e controlar o cursor no joystick. É algo que qualquer amante dos ThinkPad saberá apreciar.

Uma única (boa) opção de ecrã

Os Lenovo são usualmente francamente dos equipamentos mais configuráveis no mercado, principalmente os ThinkPad. É frequente vermos estes equipamentos com opções de processadores que vão dos mais potentes Intel Core de última geração até rodas dentadas movidas a músculo de ratinhos em miniatura, e ecrãs para todos os gostos.

Mas, para o X12 Detachable, a Lenovo deu-nos apenas uma opção de ecrã, uma unidade IPS 1920×1280 de 12.3 polegadas que, felizmente, é muito boa! Tal como no resto do X12, a Lenovo não poupou nos detalhes, e o ecrã tem não só uma excelente camada antirreflexos, como uma proteção Gorilla Glass 5 da qual espero que nunca precisem, claro. O formato de 3:2 é típico destes híbridos de produtividade, oferecendo uma boa linha vertical para exibir conteúdos e lavrar os nossos relatórios. Os conteúdos multimédia (e refiro-me a séries, filmes ou clips no YouTube, ficam obviamente com algumas margens negras bem visíveis acima e abaixo, apesar de serem bastante beneficiados pela qualidade geral do ecrã. Aqui estamos a falar mais de um ecrã para vermos apresentações, mas umas revistas e jornais não ficam mal em modo de paisagem.

Tem obviamente vantagens em que podemos simplesmente largar o teclado e levar o ecrã para fazermos as nossas leituras enquanto bebemos um café ou relaxamos na sala. Há algo muito saudavelmente satisfatório em desencaixar o ecrã do teclado e “desligar”. Os rebordos do ecrã são, por outro lado, nada de especial para os tempos que correm. Dir-se-ia que são mais espessos do que é norma, mas pensemos que estaremos a segurar este ecrã livremente e os rebordos são um ponto de apoio importante para os polegares, não há volta a dar a isto.

Infelizmente, as pequenas colunas estéreo nas laterais não são particularmente expressivas ou potentes e é mais do que certo que não vão retirar grande gozo de colocar uma música de fundo enquanto trabalho. Não podemos ter tudo.

Performance e experiência de utilização

Olhem para este retângulo aveludado e negro. É difícil pensar que dentro dele bate o coração fervente de um Intel Core i7-1160G7, um soberbo Intel Tiger Lake-U com TDP de 15W, acompanhado de 16GB de RAM. É um processador de última geração e potente, que trabalha ferozmente sem se queixar e esquecemos facilmente que existe refrigeração ativa a bordo. Notem que também existem opções com Core i5 e ainda com processadores vPro se estiverem a pensar em integrar o computador na frota da empresa.

Não conseguiriam enfiar na área limitada do X12 uma gráfica dedicada, mas como é bem sabido os Tiger Lake introduzem as Intel Xe que são potencialmente as melhores gráficas onboard no mercado. A performance supera para lá de qualquer dúvida as competências das Intel UHD da geração anterior, permitindo utilizar o X12 em conjunto com uma caneta ativa para criar arte complexa ou esgrimir mesmo alguns jogos.

Lembremo-nos, contudo, que temos a bordo as versões de menor voltagem dos processadores Intel Core, num chassis ultracompacto que não oferece o mesmo espaço para refrigeração que um portátil clássico. Em consonância com isso, os 933 pontos obtidos no Time Spy são positivos e em linha com o que podemos esperar de um detatchable, com a CPU a mostrar alguns grilhões e rapidamente baixando a frequência de operação, desaconselhando portanto aspirações elevadas em gaming ou tarefas gráficas pesadas.

Onde o ThinkPad X12 Detachable se sai bem é em tarefas de produtividade, já que os 4157 pontos no PCMark 10 o colocam ao nível de alguns dos melhores portáteis executivos de apenas uma geração atrás. Com 3417 pontos nos itens de conteúdos digitais, já percebemos que o X12 Detachable não é o portátil mais expedito para editarmos imagens ou vídeos, mas com 9566 pontos nas tarefas essenciais e 5968 em tarefas de produtividade, temos em mãos um equipamento muito simpático para uma utilização profissional quotidiana, sendo que a performance palpavelmente reflete estes valores, com fluidez na abertura de aplicações e navegação na Internet, sem abrandamentos notáveis quando o número de tabs abertas aumenta. É uma segurança importante em trabalho remoto onde queremos robustez de performance, mesmo que muito do processamento seja feito numa máquina qualquer de acesso remoto.

A vantagem da arquitetura do X12 Detachable é que, se a ventoinha é pequena e as saídas de ar não são tão volumosas quanto num portátil tradicional, o calor gerado é todo extraído para a lateral do ecrã e o teclado nunca aquece, não tendo CPU ou GPU no seu interior. Por conseguinte, o aquecimento nunca é incrementado por termos o portátil no colo, nem tê-lo aí nos transmite qualquer desconforto por aquecimento.

Finalmente, no Cinebench, o Lenovo ThinkPad X12 Detachable coloca-se novamente no segmento inferior de capacidades, expectavelmente logo abaixo do Intel Core i7-1165G7, versão com mais TDP. Portátil para editar vídeos, este certamente não é, mas também não é suposto ser.

Autonomia

Francamente compacto, o Lenovo ThinkPad X12 Detachable consegue ter no seu interior uma bateria de 42Wh. Não é significativamente mais pequena que num portátil normal, e está relativamente em linha com um ultraportátil, pelo que algures no interior deste chassis compacto a Lenovo fez alguns milagres de engenharia.

Do que vemos nos benchmarks, o X12 não mantém CPU e GPU no máximo durante muito tempo, dando primazia à autonomia e temperatura de operação. Por isso não temos problemas em utilizar o X12 Detachable durante um dia regular de trabalho e o grande destaque será em qualquer caso que, graças ao carregamento rápido, há um prodigioso carregamento de 80% em apenas 30 minutos.

Conclusão

Todos os tablets Windows vivem um pouco à sombra dos Microsoft Surface, mas com o Thinkpad X12 Detachable, a Lenovo tem uma oferta que se destaca inquestionavelmente pela relação custo-benefício. A sua vocação empresarial é muito clara, com a disponibilidade de processadores Intel Core i3, i5 ou i7 vPro com funcionalidades acrescidas para clientes empresariais, enquanto o seu formato apenas o limita em termos de quantidade de portas disponíveis e potência sustentada. A performance global do X12 Detachable realmente está em linha com este tipo de equipamentos e aqueles que necessitam da performance acrescida de um portátil clássico poderão preferir olhar para alternativas como o Lenovo ThinkPad X13 Gen 2. Mas, se as aplicações de Office são a vossa vida, a performance do X12 Detachable é mais do que suficiente: não pensemos que que precisamos de monstros de 32GB de RAM e gráfica dedicada para calcular FTE’s e consultar KPI’s.

Mas, para os executivos quotidianos, o Lenovo ThinkPad X12 Detachable oferece competências muito próprias. O chassis em magnésio combina leveza com robustez absolutamente reconfortante e um acabamento resiliente que nos transmite confiança adicional quanto à durabilidade deste equipamento num ambiente de elevada carga de trabalho e deslocações, por comparação ao aspeto mais frágil e maculável de muitos portáteis empresariais. Os seus preços estão em linha com muitos concorrentes, mas ao oferecer nesse preço base uma caneta ativa e um teclado fantástico para este tipo de dispositivos certamente colocam o X12 numa posição privilegiada para quem quer uma solução rápida e eficaz para levar a sua produtividade para qualquer canto da empresa, compondo documentos importantes com a mesma agilidade com que se anotam e partilham apresentações. Qualquer necessidade está à distância de um simples encaixar ou desencaixar o teclado e usar o formato de que mais necessitamos no momento.

REVIEW GERAL
Design & Construção
9
Hardware
8.5
Performance
8
Bateria
8.5
Experiência de utilização
9
Relação qualidade-preço
8.5
Fotografia, tecnologia, ciência: investigar escrever é uma paixão. Nas horas vagas, a caminho do trabalho ou de casa, cada minuto conta para descobrir e divulgar algo novo.

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