Este é um mundo mobile super povoado, onde a diferenciação se torna cada vez mais difícil e muitas marcas decidiram diferenciar-se apenas no preço. Como se diferencia então uma marca quando a Apple dita todas as tendências?

A Sony tem um historial de não se deixar influenciar, juntamente com um espírito inovador patente em muitos dispositivos. Com o Xperia XZ3, a Sony efectivamente continuou no seu caminho de se reinventar e, com isso, conseguiu um dos seus smartphones mais impressionantes de sempre.

 

Design único no ano das imitações

Ambient Flow. Esta é a nova linguagem estética da Sony e depois de surgir no Xperia XZ2 o seu regresso no XZ3 é triunfante e tem de ser um dos melhores designs do ano. Em toda a honestidade, deixa equipamentos como os novos IPhone a parecerem trabalho de desenrasque.

Mas entendamos que o Ambient Flow tem de ser sentido no tacto e observado de perto nos detalhes, não sendo fácil capturar-lhe as virtudes em fotografias ou renders.

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Os principais elementos do Xperia XZ2 ainda cá estão, com um painel traseiro algo côncavo, mas não tanto, o que permite utilizar o smartphone mais confortavelmente com ele em repouso sobre uma superfície. Câmara e leitor biométrico ainda continuam mais ao centro do que é habitual e por isso continuamos a colocar o dedo na câmara em vez de no leitor propriamente dito.

Em troca, o novo ecrã é curvo tanto nas laterais, quanto nas porções superior e inferior. O seu brilhantismo está aqui mesmo, gerando um loop fluído que permite manusear o Xperia facilmente sem interrupções ou relevos desagradáveis, cumprindo-se a premissa de que estas curvas foram pensadas para se adaptarem às mãos mais naturalmente. Entenda-se que o Xperia XZ3 só pode ser compreendido quando o seguramos e manuseamos. Poucos smartphones são tão orgânicos com a mão, quanto este terminal.

A Sony reduziu de forma recorde o que costumavam ser os seus rebordos excessivos, sem ir demasiado longe e, com a curvatura do ecrã, há mais do que espaço para apoiar os polegares. Na base e topo encontramos as duas aberturas para os altifalantes frontais estéreo que se encontram no declive onde o vidro encontra o alumínio da moldura. Detalhes, bons detalhes.

No topo da moldura encontramos ainda a ranhura mista para os cartoes SIM e microSD, na base uma porta USB-C e nenhum jack. Uma pena que assim seja, mas o jack já não volta.

Ora o design não é tudo e, como é expectável na Sony, o corpo está protegido com certificação IP68 contra entrada de líquidos e poeira.

 

Um colosso de multimédia, potência de sobra

No interior do Xperia XZ3 encontramos algumas semelhanças com o XZ2 lançado anteriormente, no início do ano, a começar pelo Snapdragon 845 que é acompanhado de 4GB de RAM. Há uma novidade gigantesca e essa é o novo ecrã OLED, o primeiro num Xperia, quebrando anos de história com LCD.

O ecrã flexível, pelo que a Sony lhe conferiu curvaturas nas margens, onde implementou o Side Sense, um conjunto de atalhos que podem ser activados com toques ao longo dos rebordos laterais. O ecrã, de 6 polegadas e resolução 1440×2880, inclui o motor BRAVIA e tecnologia HDR, com o que os resultados são impressionantes, quer estejamos a ver Netflix ou YouTube. As cores são intensas, os negros puros, e os ângulos de visão irrepreensíveis. Todos os conteúdos ficam simplesmente melhor neste ecrã, a primeira vezes alguns anos em que a Sony se bate de frente com um Note9 ou um Mate 20 Pro.

O Side Sense do Xperia XZ3 é das melhores ideias que a Sony já teve

 

O áudio não fica atrás. Como é tradição da Sony, o Xperia XZ3 está carregado de guloseimas para audiófilos, incluindo colunas frontais estéreo, codec LDAC, áudio de alta resolução e inúmeras melhorias que fazem toda a diferença com um bom par de auscultadores (Bluetooth, preferencialmente, já que o jack áudio desapareceu). O Dynamic Vibration System volta para fornecer um feedback táctil aos sons de filmes, jogos ou música, mas apesar das melhorias, não é particularmente favorecido pelo motor de vibração que, francamente, não traduz realmente as batidas. Mas ouvir música ou jogar um jogo neste terminal é facilmente uma experiência de topo.

No que diz respeito à performance, nada a apontar. Estamos perante o expectável de um smartphone com Snapdragon 845 e 4GB de RAM, ou seja, aguenta com tudo. A Xperia UI é limpa e elegante, impecavelmente estável e ajuda o XZ3 a ter uma performance irrepreensível. Porquanto possamos aceitar que alguns concorrentes tenham um ou outro crash, um Sony paga-se bem e a justificação está nestes detalhes.

Os 4GB de RAM não são neste momento uma limitação, por mais que a guerra às especificações tente dizer o contrário. Ainda assim, dois gigas não teriam sido mal pensados para dar mais pernas ao Xperia no futuro. Quando puxamos pelo Xperia em jogos e apps, a resposta é rápida e fluída, e não há nada que o terminal não encaixe, como vimos bem no XZ2 que tem muito hardware em comum. Não será por aqui que podemos criticar o Xperia que encaixa bem 7 minutos de esforço antes de começar a limitar o processador para controlar a temperatura, se bem que mal se note.

Entretanto, o Xperia XZ3 faz parte de um número crescente mas ainda reduzido de smartphones com Android Pie, com interface tipicamente limpa Xperia. Não faltam as ferramentas de ajuste de cor do ecrã, as Xperia Actions para perfis e acções contextuais, e obviamente o Side Sense.  As possibilidades de configuração são amplas e a interface é das mais fluídas e personalizáveis do mercado, com a interface a não poder ser dissociada da experiência positiva de utilização representa um Xperia.

Finalmente, a bateria de 3,300mAh consegue dar-nos um dia de trabalho com algum esforço, não sendo realmente seguro andarmos sem um carregador atrás.

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Excelente câmara, mas pode ser melhor

Ora este é o eterno ponto problemático dos Xperia: a Sony fornece os melhores chips fotográficos do mercado a qualquer marca, mas quando chegamos aos Xperia, há sempre um não sei bem o quê.

Mas a Sony não pode ser criticada por falta de inovação. Do foco triplo, até à capacidade de filmar clips de vídeo de 1080p a 960fps, não faltam truques na manga do XZ3. A câmara em si é a o mesmo sensor de 19MP f/2.0 que já vimos no Xperia XZ2, mas o software faz milagres e a câmara do XZ3 oferece resultados muito satisfatórios.

Talvez acima de tudo, a app é mais funcional, com mais opções no ecrã para podermos ajustar cada parâmetro muito mais facilmente e mais depressa.

Não quer dizer que a câmara seja totalmente do meu agrado, não produzindo exactamente a nitidez de detalhes nas altas luzes que posso esperar de equipamentos como o Galaxy S9, e mostrando alguma tendência a perder detalhes nas luzes mais fortes. O desfoque sintético é – à falta de melhor palavra – desagradável.

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Conclusão

Por mais que tentemos, não existem muitas críticas reais que possamos fazer ao Sony Xperia XZ3. Certo, a localização do leitor biométrico é atroz, mas esta questão é parcialmente compensada pelo design fantástico e perfeitamente inconfundível, algo de que poucos topos de gama se podem gabar em 2018.

No restante, o Xperia XZ3 certamente impressiona, mantendo a excelente performance do XZ2, e acrescentando-lhe um ecrã inédito na Sony, mas que não só é uma primeira vez para a marca, como é um dos melhores ecrãs do mercado neste momento e faz maravilhas pelos jogos e pelo multimédia, tornando o XZ3 num smartphone quase ideal para multimédia, deixando-o ficar algo mal apenas pela bateria que poderia ser melhor, sem ser a pior do seu segmento.

Tudo somado, e mesmo se a Sony precisa melhorar ainda muito as suas câmaras para competir com Samsung, Huawei, Apple e agora também a Xiaomi, o Sony Xperia XZ3 é um smartphone excitante que mostra o novo rosto da Sony em plena renovação. Em alguns aspectos é dos melhores e mais fascinantes smartphones do ano.

 

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