Nos últimos anos, a ASUS tem padecido de alguma falta de diferenciação, um sintoma que podemos apontar à generalidade das marcas no mundo dos smartphones. Os designs andam todos simplesmente muito semelhantes entre si há muito tempo. Os últimos ZenFone não deixaram de ser algo derivativos em termos estilísticos e mesmo conservadores em apostas técnicas. Isso muda por completo com o ASUS ZenFone 6, um equipamento extraordinário a diversos níveis, onde a ASUS segue o seu próprio caminho e as suas próprias soluções técnicas, criando um equipamento inconfundível e destacado.

Função antes da forma

Quantos smartphones se perdem no visual sem favorecerem os seus aspectos técnicos? O ASUS ZenFone 6 é um smartphone pensado nos detalhes para servir as suas aspirações técnicas e nasceu com um acento no prático, em que cada milímetro foi talhado não tanto para encandear visualmente, mas para servir o utilizador com engenharia de topo.

Depois de um ano de notch exagerados, o ZenFone 6 apresenta um ecrã limpo de rebordos extremamente razoáveis, com um lábio inferior algo mais espesso. Uma ranhura alongada no topo deste ecrã mostra-nos o auscultador.

Na busca pelo máximo de ecrã possível, a ASUS experimentou diversas alternativas, como tivemos oportunidade de ver ao longo do ano em imagens de protótipos descartados. A solução final é original: as duas únicas câmaras disponíveis no dispositivo encontram-se num módulo fotográfico que escamoteia entre o painel traseiro e o modo selfie, permitindo aos utilizadores captarem retratos com resolução máxima de 48MP.

A ASUS não foi até às últimas consequências para obter um smartphone esbelto. O ecrã é algo saliente, sobressaindo da moldura em alumínio, mas o painel traseiro já se integra na continuidade das laterais. Para um maior conforto, esse painel de vidro curva para dentro de ambos os lados. Com uma bateria de 5000mAh, não é fácil integrar subtilezas, daí que o ZenFone 6 seja algo pesado e espesso, mas os detalhes são impecáveis e os acabamentos de qualidade. Sob o vidro apreciamos mesmo uma textura fina que gera reflexos, tornando tudo mais interessante.

Os detalhes talvez nos escapem à primeira vista: a ASUS optou por colocar todas as teclas do lado direito e aqui a tecla de acesso ao Google Assistant possui três quatro pequenos pontos em baixo relevo. São os mesmos quatro pontos do assistente quando é invocado, mas apontam também para as múltiplas funções da Tecla Inteligente. Logo abaixo temos a tecla de volume, e depois a tecla de bloqueio, cujas laterais são da cor do painel traseiro, neste caso azul.

Na base encontramos finalmente a porta USB-C, o jack de 3,5mm e um dos dois altifalantes. O outro encontra-se no auscultador no topo do ecrã, e ambos se conjugam para uma boa sonoridade estéreo em alta-voz.

Portanto, o ASUS pode não ser o mais vistoso, mas certamente compensa com a sua postura utilitária que lhe permite oferecer um design muito inovador a um preço competitivo.

Ecrã maximizado

Não podemos fugir ao facto de que a ASUS acertou em dois alvos com uma pedra. Por um lado, as câmaras no módulo posicionável permitem o máximo de polivalência com o mínimo de sensores.

Por outro, desimpedem o ecrã e evitam qualquer um dos problemas associados aos ecrãs com notch ou perfurações. Como outros equipamentos que recorrem a câmaras pop-up ou posicionáveis, o ecrã é desimpedido, e verdadeiramente 19.5:9, sem necessidade de rebordos artificiais e, portanto, realmente alongado e capaz de mostrar filmes e vídeos no geral com faixas pretas menos expressivas que a concorrência.

É estranho que a ASUS tenha optado por um LCD, não por um OLED, o que explica a saliência do ecrã. Mas de certeza que os custos tiveram algo a dizer e a marca quis poupar-nos algum dinheiro. O resultado é positivo: o ecrã de 6.4 polegadas emite boas cores e excelentes contrastes, enquanto a luminosidade é suficiente para boa utilização em exteriores.

As cores vão requerer alguns ajustes e parecem alterar-se com o ângulo de visão, pelo menos mais do que com um OLED, mas parece-me um bom negócio.

Câmara cheia de ideias

Seria inaceitável ter o Zenfone comigo e não abordar a câmara. Mesmo no âmbito de umas primeiras impressões, há muito para dizer desta potente unidade posicionável com 48MP e a louvar as boas ideias que traz consigo.

Para começo, a câmara é impressionante, com inúmeras funções e funcionamento irrepreensível na maior parte das situações. Com o emparelhamento de pixéis 4×4, às imagens de 12MP são ricas em detalhe e o HDR automático faz um excelente trabalho no realce de detalhes nas sombras. Mas, se quisermos realmente trazer detalhes à vida, a resolução máxima de 48MP é a opção a escolher. Não esperem a mesma velocidade: o processamento destes pixéis todos demora mais tempo do que a obter as imagens de 12MP, o que é natural.

Obviamente que, com um movimento do módulo, a mesma câmara de 48MP pode ser usada como câmara selfie. Não se deixem enganar: o movimento do módulo executa-se praticamente durante o mesmo tempo que a maior parte dos smartphones demora a alternar entre câmaras frontais e traseiras.

Mas não é só isso: a ASUS teve excelentes ideias para esta câmara: podemos utilizar a rotação do módulo para capturar uma imagem panorâmica, e programar a tecla inteligente para capturar a imagem, enquanto as teclas de volume controlam a inclinação das câmaras, fazendo maravilhas para capturar imagens em ângulos difíceis.

Até agora, em condições de boa luminosidade, as imagens são soberbas, com bom detalhe, mesmo sem HDR. A Gama dinâmica é apreciável, com o ASUS a reter detalhes nas luzes em condições bem difíceis. Veremos o que a câmara pode fazer mais tarde. Até lá, ficam aqui algumas fotos.

 

Funcionalidades e performance

A performance do ASUS Zenfone 6 é algo que apreciaremos. Munido do Snapdragon 855 e 6GB de RAM na sua configuração base, o ASUS não tem falta de músculo. Jogar os jogos mais brutos não é um problema. A ASUS inclui mesmo o Génio de Jogos que permite configurar streaming no YouTube ou Twitch.

Mas, o melhor da interface é a sua apreciável proximidade ao Android puro. A interface está irreconhecível face aos anteriores Zenfone: muito mais limpa, com menos apps duplicadas e mais homogénea. O Zenfone 6 sente-se muito como um Android One.

Sob a superfície, no entanto, há muito a acontecer: a ASUS permite ativar o modo escuro para todo o sistema, navegar por gestos e mesmo desenhar letras no ecrã desligado, para aceder a apps específicas. A tecla inteligente, como podem já ter adivinhado, é configurável, e temos mesmo um gestor do smartphone escondido nas definições. Tudo para manter a interface limpa. E muito, muito mais.

E não podemos esquecer que temos uma bateria de 5000mAh. É a maior bateria em serviço num topo de gama e deverá dar-nos excelente autonomia.

Finalmente, um aceno para o áudio a bordo, com DTS.X, e dois altifalantes muito interessantes!

Veredito inicial

Por €559, um pouco mais ou menos, o ASUS ZenFone 6 é claramente o OnePlus killer. A ASUS aposta em hardware prático e poupa no supérfluo, para oferecer uma proposta muito sólida e cheia de boas ideias. O ASUS é sem dúvida um smartphone para utilizadores, não para exibicionistas.

Com o seu software próximo ao Android limpo, o ASUS namora com os Power users, mas os settings de jogos piscam o olho aos gamers, enquanto as câmaras posicionáveis são tão engenhosas quanto potentes. Poucos smartphones podem querer atingir tantos alvos de uma só vez, mostrando que sob uma aparência prática, o ZenFone 6 é dos smartphones mais ambiciosos do mercado.

De minha parte, fica a satisfação por existirem ainda smartphones que seguem o seu próprio caminho e se atrevem a ser originais.

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