Colocar no pulso dos nossos filhos um equipamento capaz de fornecer a sua localização e um meio de os escutar longe de casa parecia uma boa ideia, certo? Não. É uma péssima ideia, tão perigosa que a Alemanha baniu estes dispositivos e aconselha a sua simples destruição.

Falha de segurança generalizada

Com cartão SIM e capazes de comunicar som, imagens e dados de localização, os smartwatches sob mira não são brinquedos, mas dispositivos IoT puros e simples, uma área tão vazia de leis que quando compramos um naco de plástico colorido feito na China deveríamos perceber que a segurança do software foi perfeitamente esquecida.

Não deveríamos estar sequer a ter esta conversa: qualquer dispositivo que possamos ouvir à distância pode ser ouvido por qualquer um.

Antes desta decisão Alemã, a Noruega tinha já detectado por parte de alguns destes dispositivos o envio de informações privadas, não autorizadas e não encriptadas, directamente para a China. Bom, agora sabem porque é que estes dispositivos podem ser baratos, correcto? Porque os produtos são as próprias crianças.

O Conselho Norueguês para o Consumidor determinou que, graças à segurança mínima dos dispositivos, qualquer um com conhecimentos mínimos de hacking pode entrar no dispositivo, recolher dados e falsificar os dados de GPS, impedindo uma criança de ser encontrada.

No relatório completo, só uma marca de smartwatches (Tinitell) passou os testes. As restantes revelaram perigosas falhas de segurança.

As autoridades Alemãs perceberam que, face à falta de regulação dos brinquedos conectados, este mercado é pouco mais do que um faroeste em que as empresas, ou não sabem, ou não querem investir em segurança.

Dispositivos de espionagem puros

Seria suficientemente mau se estivéssemos a falar de dispositivos capazes de colocar em perigo as nossas crianças, mas vai mais longe: as autoridades Alemãs descobriram que muitos pais usavam os relógios para espiarem as salas de aula e ouvirem os professores.

É isso mesmo: Pais paranóicos e sem noção dos limites julgaram por bem colocar os seus filhos em perigo só pela necessidade de espiarem os professores.

A Alemanha considera que o mero facto destes dispositivos permitirem que um pai vigie a criança sem conhecimento desta os coloca directamente na classe de disposição de espionagem. Que na verdade possamos vigiar toda a gente é ainda pior.

Como resultado, a Alemanha não só aconselha todos os pais a destruir os smartwatches, como alertou as escolas para estarem atentas a qualquer criança com um.

Nem todos os smartwatches nascem iguais

A acção das autoridades Alemãs abrange todos os smartphones sem limitação de marcas, por isso o melhor é prevenir: se pensava adquirir um smartwatch para os seus filhos no Natal, pense de novo.

Os smartwatches que não possuem funções de localização ou telefonia serão seguros, no entanto não são aqueles que os pais querem comprar com a ideia de manterem os filhos seguros.

Em Portugal podemos encontrar diversas marcas e ofertas de smartwatches com localizador GPS para crianças, e podemos encontrá-las nas principais lojas abertas ao público. A questão que todos os pais terão que colocar é se aquilo para que querem oferecer o relógio às vossas crianças vale o risco.

A questão é ainda mais pertinente se falarmos em adquirir estes equipamentos via online, sem regulamentação ou responsáveis que possamos contactar ou que nos dêem garantias de segurança.

A TekGenius está a investigar o assunto junto aos principais revendedores em Portugal.

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