É a questão mais comum no mundo dos smartphones: vale a pena trocar um smartphone pela nova geração? O BlackBerry Key2 acaba de chegar à TekGenius numa fase em que o BlackBerry KEYone continua a ser o meu daily driver, assim por dizer o smartphone de uso geral para trabalho e comunicação, e ainda recentemente mantive a consideração de que se trata de um dos melhores smartphones no mercado. Mas, agarrado o Key2, vale este smartphone a actualização?

Resumidamente e sem reservas, sim. Para uma explicação mais longa, continuem a ler.

 

Design mais consolidado

Começarei pelo aspecto mais frívolo: o perfil anguloso do BlackBerry Key2 é mais institucional, mais arrojado que o do KEYone, e no entanto menos agressivo, graças ao prolongamento do ecrã até ao topo do dispositivo, onde desaparece a “testa” de metal que aloja os sensores frontais e o altifalante. As laterais são rectilíneas e todas as teclas passaram para o lado direito, onde estão acessíveis ao polegar de modo muito mais imediato.

Ainda na parte frontal, o teclado é agora mate e desaparecem os frisos brilhante/cromados do seu antecessor, com o resultado de fazer sobressair as teclas, dado a que voltaremos mais tarde. No entanto, o efeito é uma frontal mais limpa e plana com maior simplicidade e minimalismo institucional.

O design parecer algo mais agradável raramente é um motivo para mudarmos de smartphone, mas fica aqui o apontamento.

 

Teclado substancialmente melhorado

O teclado do BlackBerry KEYone é o ponto alto deste dispositivo e permite-me teclar mais depressa, com maior exactidão. Não é simplesmente a única opção no mercado, mas realmente uma ferramenta refinada para produtividade. Seria muito difícil a TCL melhorar este teclado, mas conseguiu fazê-lo com uma mistura de grandes mudanças e pequenos detalhes que resolvem as minhas principais reservas sobre o teclado original.

Para começar, o teclado é muito mais leve e responsivo, requerendo menos esforço para pressionar do que notei no KEYone, com o que é mais fácil escrever sem fadiga. Basta um pressionar e o teclado emite um satisfatório “clique” rápido e sem esforço.

A eliminação dos frisos que separavam as teclas gerou um “poço” entre elas, com o que a passagem de uma fileira para a outra é mais fácil de notar, portanto mais fácil percebermos que estamos numa tecla diferente.

A nova tecla de atalhos, a Speed Key que substitui o Shift direito, prova-se extremamente mais prática que a implementação anterior. Podemos criar mais de 50 atalhos, tal como no KEYone, com pressão longa ou curta, mas graças à Speed Key, a partir de qualquer aplicação podemos pressionar esta tecla em conjunto com a tecla de atalho para abrir uma app nova sem ter que voltar ao ecrã principal.

Finalmente, um detalhe importante é o acabamento mate das teclas que dá uma sensação táctil mais interessante e parece para já menos propensa a se danificar com a usual fricção.

Regra geral, portanto, o teclado do Key2 permite uma experiência de utilização muito melhorada face ao KEYone, e embora este permaneça uma excelente opção, temos que admitir que o Key2 é simplesmente melhor. O único pormenor que ainda não testei a fundo são os gestos de swipe vertical para escolher as palavras sugeridas. No global, no entanto, confesso-me impressionado.

Deixo ainda assim uma sugestão: a rápida implementação da navegação por gestos. Idealmente, um swipe pelo teclado deveria permitir abrir notificações rápidas ou aceder às últimas aplicações, prescindindo-se das teclas de navegação que são de outro modo impreteríveis.

 

Performance globalmente incomparável

Não é surpreendente que diga que a performance melhorou entre o KEYone e o Key2. Se este último possuía o Snapdragon 625 com uma performance mais do que meritória para o tipo de trabalho que pretendemos executar com o BlackBerry, o Snapdragon 660 é fundamentalmente mais capaz de nos levar mais longe. A ajudá-lo, 6GB de RAM são importantes para o multitasking, e uma quantidade de RAM dificilmente limitada para a utilização mais intensa.

Existe uma certa fluidez acrescida na alternância entre apps e na velocidade com que abrem, e o Key2 soluça menos quando os documentos abertos se tornam muito pesados. As apps encravam menos em utilização intensa, quando a carga sobre o processador se maximiza e, com isso podemos esperar folga extra, inclusivamente para a bateria. Muitos esperariam certamente um Snapdragon 845 a bordo, mas continuo a manter que poderíamos estar perante um desperdício para um smartphone que não necessita de grande performance gráfica ou em jogos.

Sem qualquer queixa neste ponto, quanto à performance, e o vencedor é óbvio.

 

Ergonomia melhorada

Um fenómeno que me acontece frequentemente no KEYone é quando necessito emprestá-lo, e a tecla de bloqueio é frequentemente confundida com a tecla de conveniência. O Key2 corrige esse detalhe ao colocar do mesmo lado todas as teclas.

A tecla de bloqueio é fácil de se encontrar com o polegar já que possui uma textura própria, e o facto de estarem todas as três teclas alinhadas é mais interessante para uma utilização com o polegar sem pressão acidental de teclas quando a mão “abraça” o smartphone.

 

As mesmas virtudes

É importante que um smartphone novo traga melhorias sem perder o que a geração anterior tinha de bom, e o Key2 parece consegui-lo na utilização que fiz dele até agora. A bateria, acima de tudo, mantém-se com uma autonomia excelente que permite uma utilização ao longo de todo o dia. Esqueçam os mitos de “bateria até dois dias” que a maioria dos smartphones nos pregam: com a utilização que faço, chego regularmente com menos de 20% a casa, e isso num cenário positivo. O Key2, tal como o KEYone, é dos poucos que permite que chegue a casa com mais de 40-50%. Entretanto, o carregamento mantém-se rápido com pouco mais de uma hora a ser necessária para chegar aos 100%.

Do lado das câmaras tenho ainda que verificar se a evolução é positiva, mas as funcionalidades são maiores, graças à inclusão da Google Lens que permitirá digitalizar documentos ou obter informações sobre locais. Giro, ein?

 

BlackBerry Key2 ou KEYone, em qual apostar?

Neste momento continuo a dizer que o KEYone é dos melhores smartphones no mercado, mas o Key2 supera-o na generalidade dos elementos. Mantém também algumas vulnerabilidades, como o áudio sem altifalantes estéreo e a ausência de aprimoramentos áudio como o Dolby Atmos ou Dirac, o que me impede de o eleger como player de eleição.

Mas a verdade é que a TCL conseguiu fazer um dispositivo que justifica perfeitamente ter nascido como sucessor de um equipamento tão interessante.

O Key2 mantém a identidade própria do KEYone e oferece uma experiência de utilização muito melhorada. Fora o preço, não precisamos pensar duas vezes em qual escolher: o Key2 é o melhor smartphone do momento para produtividade.

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