O papel culturalmente enriquecedor das redes sociais nem sempre é fácil de provar (se sequer existe), mas a New York Public Library parece ter tido a melhor ideia dos últimos tempos para dar real utilidade a uma rede social que nos últimos tempos se tem convertido num território de futilidades e publicações efémeras: a instituição pública está a publicar nas suas Insta Stories os grandes clássicos da literatura, começando por Alice No País das Maravilhas de Lewis Carroll.

É isso mesmo: alguém pegou nas Insta Stories e transformou-as de um meio maioritariamente utilizado para vídeos de utilidade altamente questionável com animojis e birras, num disseminador intuitivo da riqueza literária do mundo Ocidental (e não só). E isso vale ouro, porque nem todos temos um cartão de biblioteca, e nem todos temos (por alguma razão) prazer em segurar um livro nos transportes públicos.

Na Internet dos grandes clássicos literários, o Project Gutenberg já disponibiliza dezenas de milhar de obras literárias e científicas de domínio público, em diversos idiomas. O projecto da Biblioteca Pública de Nova Iorque, no entanto, vai mais longe e pretende utilizar a interface dos Insta Stories para facilitar a leitura dos livros, que são ilustrados de modo animado por diversos artistas convidados.

De momento encontram-se disponíveis a primeira e segunda parte de Alice no País das Maravilhas, e a interface animada funciona como um vídeo normal, mudando as páginas ao fim de um período de tempo. Manter o dedo no canto inferior do ecrã – que em si mesmo possui uma animação – impede a página de avançar, e é possível navegar entre as partes e entre os capítulos.

A iniciativa é tão interessante que se há tanto que se copia da cultura Americana, então esta é de facto uma iniciativa que vale a pena replicar por cá, criando awareness para a riqueza dos espólios das nossas bibliotecas e contribuindo para o incentivo da leitura num país onde os livros são excessivamente caros para o nosso poder de compra, e onde os hábitos de leitura são tudo menos ideais.

Não há desculpas, sigam para o Instagram para a handle @nypl (não será a handle melhor do ponto de vista fonético) e sigam os highlights da Biblioteca.

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