O HP Pavilion Aero 13 é um portátil peculiar, que nos deixa extremamente excitados no papel. É um Envy? É um Pavilion? É difícil dizê-lo, considerando como a HP adotou para este Pavilion as linhas esbeltas da linha Envy substancialmente mais premium. Mas, munido de processadores AMD e com um peso que começa nas 900g, o Pavilion Aero 13 é o mais leve dos Pavilion e um dos computadores mais leves no mercado, mas junta-lhe especificações sólidas sem sacrifícios de magreza, além de um preço bastante competitivo.

Portanto, passadas algumas semanas a experimentar o Aero 13, há incrivelmente pouco que possamos apontar-lhe de errado. Há, pelo contrário, muitas virtudes num portátil muito convincente que tem a combinação certa de especificações e portabilidade para

Design: erguer alto o pavilhão

Um trocadilho miserável, eu sei. Mas, os Pavilion de 2021 estão a fazer algumas maravilhas em termos de design, trazendo para o segmento médio as linhas geralmente encontradas nos equipamentos de gama alta. O Pavilion Aero 13 segue a mesma tendência, com linhas muito limpas onde nenhum milímetro é desperdiçado e um perfil muito bem rematado em chanfra. Até mesmo a parte posterior da dobradiça é côncava ao estilo Envy, com “Aero” gravado longitudinalmente. O design é simplesmente irrepreensível, incluindo no detalhe de um ecrã com rebordos muitos reduzidos e um teclado que ocupa praticamente toda a largura do chassis.

Entretanto, a construção recorre a uma liga de alumínio e magnésio quase exclusivamente na construção, oferecendo um sentido tátil premium e agradável, num chassis que não se deforma particularmente. O magnésio tem a particularidade de não parecer tão frio quanto alumínio e, por isso, poderíamos facilmente confundir este material com plástico, mas a sua leveza é inconfundível.

A conectividade é certamente algo que vão adorar no Aero. Ao contrário do que acontece em alguns dos portáteis mais caros de dimensões idênticas, onde a conectividade é bastante limitada, a HP disponibiliza-nos duas portas USB-A e uma porta USB-C e mesmo uma porta HDMI e um jack de áudio. As portas USB-A são geralmente as primeiras a ir, por isso a HP optou por um desenho colapsável que permite colocar estas portas no chassis e quando é necessário ligar um cabo, uma patilha desloca-se para o encaixe ser possível.

Um detalhe pouco prático do Aero é que a HP fez um esforço extra para mostrar um exterior limpo, e escondeu os parafusos que permitem aceder ao interior debaixo dos pés de borracha, o que significa que vamos precisar de ferramentas especializadas se quisermos substituir alguma peça e fazer manutenção. Na verdade, eu não o aconselharia de todo em casa. Mas, dito e feito, é uma tendência de muitos fabricantes hoje em dia.

Ecrã: 16:10 para produtividade

É algo que tenho vindo a apreciar cada vez mais: ecrãs 16:10, com um pouco mais de espaço vertical para compor textos como este. Menos vocacionados para vermos filmes, mas o Aero não é um portátil para os viciados em multimédia de todo, por isso soube escolher bem o seu público-alvo.

Com 13.3 polegadas FHD, o ecrã tem um acabamento mate que permite uma melhor utilização em condições de escritório, o que retira algum contraste, como será de esperar, mas ainda assim as cores são suficientes para uma utilização quotidiana, com bons contrastes que não deixarão um filme ficar mal. O único ponto onde vemos que este equipamento não custa mil euros é na moldura em plástico em torno do ecrã, mas esta moldura tem pelo menos um ponto extraordinário em quão diminuta é, maximizando a área de ecrã ativo para o tamanho do corpo de uma forma muito rara neste segmento.

De nota que, como disse já, o ecrã é algo lasso no seu posicionamento quando nos deslocamos, mas tem uma abertura muito limitada (cerca de 100º, diria), o que impede os deslocamentos de em algum momento se exacerbarem. Esperava uma dobradiça com mais amplitude, como parece ser a norma atualmente, mas não sinto que seja tema impeditivo.

O ecrã apresenta, portanto, boa qualidade geral, e o seu formato 16:10 é outro ponto onde o Aero desafia os segmentos mais caros, já que estas proporções de ecrã são – para já – reservados aos equipamentos premium. Ao contrário do que acontece nos segmentos imediatamente acima, o Aeron não oferece ecrãs táteis, nem por opção.

Acompanham-no duas saídas estéreo com assinatura Bang & Olufsen, outro ponto que a HP geralmente reserva para os equipamentos premium. As colunas são na base e isso traz o benefício de um som que usa a mesa como superfície de ressonância, embora no colo percamos esta vantagem. O áudio é correto e não ofende os ouvidos quando pedimos alguma música para acompanhar o trabalho.

Teclado delicioso, mas difícil de ler

É um sinal de marca da HP nos últimos tempos: as teclas do Aero são da mesma cor que o chassis, isto na versão prateada que recebemos para análise e se do ponto de vista estético é francamente bonito, do ponto de vista do conforto ao teclarmos, confesso que não sou um fã. A luminosidade externa ou interior facilmente se reflete nestas teclas e omite os caracteres, principalmente se, em pleno dia, nos esquecermos da retroiluminação ligada, o que ainda mais difícil torna distinguir as teclas individuais. A falta de contraste efetivamente torna a iluminação das teclas apenas útil de noite, quando utilizamos o Aero com muito pouca luminosidade. Seria interessante que, nestes equipamentos prateados, a HP utilizasse uma iluminação com outra tonalidade para maior contraste.

Eu sei que nem todos temos o hábito de olhar para as teclas, eu próprio raramente o faço, mas quando cometo um erro olho e percebo que tenho dificuldade em perceber em qual tecla me enganei. Na nossa versão cinzenta talvez seja mais difícil que nas restantes tonalidades?

Esta apreciação muito pessoal à parte, o teclado é um ponto forte do Aero. Por múltiplas e inúmeras razões.

Por um lado porque a HP não foi tímida em tamanhos e oferece-nos um teclado com teclas grandes que se estendem até ao máximo possível das laterais, o que garante que conseguimos manter os dedos numa posição agradável que não é sempre possível em equipamentos destas dimensões.

As teclas propriamente ditas são sólidas e com atuação de resistência média, surpreendendo pela positiva com uma ação sólida e exata para um equipamento de gama média. Podemos não gostar das teclas Up e Down de meio tamanho, mas acabamos por nos habituar e outro ponto positivo é que o suporte do teclado é suficientemente sólido para não vibrar particularmente e por isso não cede durante a escrita, nem emite ruídos.

O touchpad é – como vem sendo normal nos HP – enorme, com muito espaço de utilização e uma atuação agradável, mas ao ser de plástico não é tão soberbo quanto os que encontramos nos equipamentos premium.

Performance em concentrado

Um dos segredos do HP Aero 13 é a utilização de processadores AMD, tipicamente mais benévolos no consumo energético e com uma capacidade de processamento muito apreciável. A nossa unidade de testes tem a configuração mais ambiciosa com um AMD Ryzen 7 5800U e 16GB de RAM, o que o coloca numa posição de competir eficientemente com a capacidade dos Intel Core i7 de última geração.

Não vai ser certamente este um ponto onde teremos problemas. E isso fica bem patente nos 5408 pontos no teste PCMark 10, com um enorme destaque nas tarefas essenciais e de produtividade, ambas acima de 9000 pontos, enquanto nas tarefas de imagem os 4758 pontos mais do que chegam para se baterem com as Iris Xe. É uma performance comparável a um Intel Core i7 de última geração, que encontraremos em equipamentos bem mais onerosos, por isso não posso deixar de me sentir impressionado com este músculo num portátil que não chega a 1Kg.

Chegados 3D Mark, os 1150 pontos voltam a apontar para um desempenho gráfico interessante, perfeitamente em linha com as Intel Iris Xe, e permitindo mesmo que possamos esgrimir alguns níveis de World Of Warships e War Thunder, desde que mantenhamos os gráficos na média. Nestes casos, o Aero expele o ar quente diretamente para o ecrã, o que parece ser a norma nos dias de hoje em que as saídas laterais estão fora da moda.

Isto tem vantagens e desvantagens. Começando pelas segundas, é óbvio que o ar quente é expelido contra o ecrã e o aquecerá, em vez de simplesmente soprar sem obstáculos e de dissipar. Por outro lado, com o ecrã a desviar o fluxo de ar para cima, a superfície abaixo fica mais resguardada de qualquer aquecimento adicional. A temperatura na base sobe, claro, mas não chega a tornar-se incómoda, e a maioria é desviada para esta zona do ecrã, para longe das mãos. Nesta implementação, as vantagens superam então qualquer desvantagem, com o ar a manter-se longe dos nossos preciosos dedos.

Noto neste ponto que, a forma como o ecrã está construído sobre o seu pivô significa que ao o inclinarmos mais ou menos permite levantar a base na diagonal, o que não só aumenta o fluxo de ar que entra, como nos ajuda a ter o teclado menos horizontal, o que a muitos desagrada.

O importante a reter aqui – se dúvidas tiverem – é que com o AMD Ryzen 7 5800U, o Pavilion Aero consegue rivalizar com qualquer equipamento Intel Core i7 e abaixo, pelo menos com a maior dos chips encontrados em ultraportáteis, o que é uma proeza. A experiência de utilização sai muito beneficiada na globalidade, com a nossa capacidade de fazer algum gaming light, mas de acima de tudo conseguir realizar a maior parte das tarefas de produtividade sem abrandamentos significativos. E isto sem termos de pagar mais de mil euros.

Autonomia consistente

O HP Pavilion Aero 13 não surpreende na bateria. O chassis é relativamente compacto, o que não terá permitido à HP colocar aqui uma unidade maior que a de 43Wh disponível, e que não é particularmente grande, mas também não é pequena para o segmento. Há detalhes interessantes aqui, já que por um lado a HP continua a apostar no seu pino para carregamento, mas o Aero também consegue ser carregado via a porta USB-C, autorizando um carregamento ligado a um monitor externo, o que é um excelente toque. Através do carregador de 65W, uma carga completa é possível em cerca de duas horas e o carregamento rápido dá uma ajuda inicial.

Quanto à autonomia propriamente dita, fruto de uma bateria de capacidade bastante normal, o Aero 13 não bate recordes de autonomia, mas o AMD faz um bom serviço na gestão energética e 7-8 horas de trabalho contínuo são expectáveis, com mais do que isso se a ideia for vermos multimédia com baixa luminosidade. A HP oferece um ecrã de resolução maior, 2560×1600, que deverá ter um impacto na autonomia.

Conclusão

O HP Pavilion Aero 13 é perfeito? É o melhor computador do mercado? A resposta depende das necessidades de cada um, e nenhuma máquina é perfeita, mas se a autonomia poderia ser melhor, se as teclas poderiam ter outra iluminação ou uma opção tátil seriam úteis, o que a HP consegue neste equipamento é excecional.

O HP Pavilion Aero 13 parece-me, neste momento, uma das melhores ideias levadas à pratica em todo o ano por qualquer marca. Podemos encontrar equipamentos parecidos, mas o Aero está num nicho só seu onde o seu preço extremamente agressivo torna difícil acreditar a quantidade de especificações que traz para cima da mesa, num chassis extremamente leve e portátil, sem comprometer a qualidade de construção ou a elegância.

Este é um portátil bonito e deliciosamente leve (ou será deliciosamente bonito e leve?), reunindo uma construção esmerada e atraente à performance impecável do AMD Ryzen 7 5800U, capaz de prestações excelentes em toda a linha, sem comprometer uma autononomia sólida. Os compromissos feitos pela marca mal se notam, e o Aero faz frente a equipamentos bem mais caros, facilmente se tornando um dos meus equipamentos favoritos de todo o ano. A sua combinação de especificações torna impossível não nos apercebermos que que este é potencialmente o melhor ultraportátil que podemos comprar abaixo de €1000 neste momento.

No mundo dos smartphones, o conceito de flagship killer define aquele equipamento que, tendo todas as funcionalidades de um terminal de gama alta, custa quase metade do preço. Existem concessões a fazer para chegarmos a tal, claro: pequenas gorduras que se cortam, como por exemplo a não disponibilização de opção com ecrã táctil no Aero. Mas, no essencial, estes equipamentos flagship killers transmitem a mesma experiência que um equipamento substancialmente mais caro, sendo verdadeiros exercícios de engenho. O termo não existe praticamente nos computadores, mas se um dia se tornar difundido, podem olhar bem para o HP Pavilion Aero 13, como um pioneiro capaz de oferecer o essencial de um equipamento proibitivamente mais caro.

REVIEW GERAL
Design & Construção
9
Hardware
8.7
Performance
9
Bateria
8.5
Experiência de utilização
9
Relação qualidade-preço
9.3
Fotografia, tecnologia, ciência: investigar escrever é uma paixão. Nas horas vagas, a caminho do trabalho ou de casa, cada minuto conta para descobrir e divulgar algo novo.

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