O Pocophone F1 acaba de chegar ao mercado nacional e traz consigo a etiqueta de revolucionário, não fosse o smartphone mais barato com Snapdragon 845, com isso conseguindo uma performance completamente inacreditável para o segmento abaixo dos €400. Com esta aposta, a Xiaomi ameaça por isso mudar por completo as nossas expectativas quanto ao que esperar de equipamentos perto dos €400, mas não é justo dizer-se que se a Xiaomi consegue, as outras marcas conseguem e não será certamente garantido que o Pocophone F1 é simplesmente melhor que qualquer smartphone na sua gama de preço, onde nenhum pode rivalizar com o seu Snapdragon 845. Nem só de prestações puras se faz um smartphone e não é correcto olharmos para qualquer concorrência do mesmo nível como sendo demasiado caros por comparação. Prova disso é que, face ao Pocophone F1, BQ Aquaris X2 Pro e Huawei Mate 20 Lite podem ser smartphones muito melhores em diversos aspectos.

 

Pocophone F1 – Prós e contras

Antes de começarmos, devemos ser claros quanto a isto: a nossa análise é uma análise simples às especificações dos smartphones deste comparativo, não tendo sido possível ainda avaliar adequadamente um Pocophone.

Dito isto, o conceito do Pocophone F1 é em boa medida admirável: a sua filosofia é fundamentalmente a de um Fórmula 1: por um lado temos componentes de elevada performance que outras marcas podem não conseguir financiar logo, por outro um conjunto de adaptações que pretendem tornar o Pocophone F1 um puro-sangue da capacidade de processamento. E tudo o que já vimos nas especificações diz-nos que onde a performance é chave, a Xiaomi não poupou e equipou o Pocophone com o melhor hardware possível, incluindo o Snapdragon 845 com 6GB de RAM e 64GB de armazenamento interno em memórias UFS 2.1. Tão interessante quanto isso, o Pocophone F1 inclui um sistema de reconhecimento facial por infravermelhos, absolutamente inédito neste segmento de preço.

Mas é fora da performance absoluta que vejo alguns problemas com o Pocophone, a começar por aqueles que esperam um equipamento durável. Há várias razões para o F1 ser tão barato, e o exterior em plástico é a razão mais óbvia. O plástico não irá quebrar se cair como faria o vidro, nem amassar como alumínio, mas será mais fácil de danificar e macular em utilização normal. Acima de tudo, este não será um smartphone durável, já que o plástico não aguentará o esforço prolongado aos bolsos apertados, contactos normais com os elementos, etc.

Acima de tudo, a metáfora Fórmula 1 é aqui extremamente válida: o Pocophone F1 está optimizado para dar o máximo em performance, mas não tem as funcionalidades que poderíamos esperar num smartphone polivalente. O Pocophone F1 carece de qualquer tipo de protecção contra os elementos externos, não possui NFC e a certificação Widevine L3 impede qualquer recurso HD em serviços como a Netflix.

Mas a Xiaomi pode ter ido mais longe na tentativa de cortar os custos. Alguns utilizadores têm-se queixado de bleeding de um ecrã também criticado pelas cores pouco correctas, outros notaram problemas com o bloqueio do notch e falhas nas notificações, mostrando um equipamento onde o controle de qualidade não foi uma prioridade.

Alternativa 1: BQ Aquaris X2 Pro

À superfície, o BQ Aquaris X2 Pro pode parecer um smartphone inferior, equipado com o Snapdragon 660, um octa-core do ano passado cuja performance se mantém distante daquela de que é capaz o Snapdragon 845.

No entanto, quando o testamos há alguns meses, o BQ Aquaris X2 Pro mostrou ser mais do que capaz de correr jogos particularmente potentes como o exigente Ark: Survival Evolved sem protestar. Ao mesmo tempo, com o Snapdragon 660 a ser um processador menos focado em potência e mais em performance global, o Aquaris X2 Pro mantém boa autonomia e ainda assim uma utilização agradável está garantida por uma instalação quase pura do Android Oreo. Apesar disto, o Aquaris apresenta inúmeras possibilidades de personalização, e a app fotográfica é bastante evoluída, ideal para os que gostam de realmente experimentar na captura fotográfica.

Por comparação ao Pocophone F1, o BQ Aquaris X2 Pro exibe um design excelente, e não falha em nenhum dos pontos que tiram ao seu concorrente algum charme: a qualidade fotográfica é impecável, a UI estável, certificação Widevine L1 está a bordo e a NFC não ficou de fora. Tudo somado, o BQ Aquaris X2 Pro pode não ser tão performante quanto o Pocophone F1, mas é um smartphone mais completo e polivalente, e fundamentalmente mais durável, sem vícios e um prazer de utilizar em qualquer envolvente.

 

Alternativa 2: Huawei Mate 20 Lite

Em termos estéticos, o Huawei Mate 20 Lite está no extremo oposto do Pocophone F1. O smartphone da Huawei tem um design elegante, acabamentos de gama alta e é fundamentalmente inconfundível, sendo o primeiro Huawei do ano a romper com uma certa estética transversal aos Huawei de 2018. O equipamento é leve e fica soberbo na mão. Acima de tudo é francamente bonito e eu diria mesmo um dos mais bonitos em qualquer marca.

A nível do hardware, o Huawei Mate 20 Lite introduz o eficiente Kirin 710, processador muito capaz, razoavelmente equivalente ao Snapdragon 660 do Aquaris X2 Pro, com 6GB de RAM, pelo que uma performance muito folgada está garantida. O ecrã é de elevada qualidade e a inteligência artificial faz maravilhas pelas fotografias, para quem gosta das cores mais fortes. Na gama média, de resto, poucas marcas podem competir com a capacidade das câmaras da Huawei, mas só depois de termos o Pocophone nas mãos poderemos fazer uma comparação justa neste campo.

Em termos de especificações e preço, o Huawei Mate 20 Lite é talvez dos smartphones mais directamente em concorrência com o Pocophone F1, com um grande ecrã de 6.3 polegadas, face às 6.18 do Poco, e encontra-se à venda exactamente pelo mesmo preço. Porquanto não possa oferecer a mesma performance, é um produto visivelmente melhor acabado, profundamente pensado para quem quer estilo além de substância. A sua vantagem nas câmaras é digna de nota, pelo menos no papel, principalmente nas frontais, com algo mais de resolução e uma câmara secundária para medição de profundidade.

O resultado é que onde o Pocophone F1 aposta na performance bruta, o Huawei Mate 20 Lite aposta numa polivalência muito completa, capaz de o tornar um atractivo para vLoggers e profissionais por igual, graças ao look ao mesmo tempo vanguardista e institucional. Se não se deixaria apanhar vivo com um smartphone sem estilo, o Mate 20 Lite é uma consideração obrigatória.

 

 

Conclusão

Se o que procuram é performance acima de tudo, o Pocophone F1 é imbatível abaixo dos €400 e oferece neste campo o tipo de potência só expectável em equipamentos substancialmente mais caros.

Mas se para si um smartphone não é só o processador e procura um equipamento mais equilibrado que não negligencie a qualidade dos componentes e ainda menos se esqueça dos detalhes e do bom design, o BQ Aquaris X2 Pro é incontestavelmente um melhor smartphone que a oferta da Xiaomi. Bem construído, bem pensado, o Aquaris é um produto polivalente, não um “tudo ou nada”, e isso deve ser visto com respeito.

Depois temos o Huawei Mate 20 Lite, a resposta mais directa da Huawei ao Pocophone F1 e, olhando para toda a experiência de utilização do Mate, ainda bem que a Huawei não procurou imitar o Poco. O Mate 20 Lite é um produto melhor acabado e com mais funcionalidades, não obstante não competir no campo da performance. Num setting quotidiano, dificilmente notaremos a diferença.

Posto isto, qual será a vossa escolha?

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